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Correio da Manhã

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Ségolène mais favorita

A pretendente socialista à presidência da República francesa, Ségolène Royal, recebeu ontem boas notícias quando o ex-primeiro-ministro Lionel Jospin anunciou a desistência da corrida pela candidatura oficial do Partido Socialista.
29 de Setembro de 2006 às 00:00
Ségolène mais favorita
Ségolène mais favorita FOTO: Finbarr O’Reilly/Reuters
Ségolène, que até agora tinha cerca de 40 por cento das preferências, torna-se desta forma ainda mais favorita à vitória nas eleições internas.
Um porta-voz da candidata elogiou o gesto de Jospin, considerando-o “um passo decisivo para a unificação dos socialistas”. “É uma muito boa notícia para o Partido Socialista e para a Esquerda”, afirmou ainda Arnaud Montebourg, em nome de Ségolène, salientando que “Lionel Jospin poderá colocar a sua experiência ao serviço da nossa vitória comum”.
Embora favorita, a presidente da região administrativa de Poitou-Charentes é muito criticada dentro do Partido Socialista, onde é acusada de trair princípios tradicionais da Esquerda.
A confirmar o diagnóstico, Ségolène pôs recentemente em causa, por exemplo, a semana de trabalho de 35 horas, bandeira tradicional da Esquerda. Para muitos, mais do que a Jospin, cabe-lhe a ela a responsabilidade pelas divisões dos socialistas. Laurent Fabius, outro dos pretendentes socialistas à presidência, considera Ségolène uma candidata superficial e populista.
Jospin, recorde-se, estava afastado da política activa desde a sua eliminação na primeira volta das presidenciais de 2002 pelo radical de direita Jean Marie Le Pen e afirmou agora que se retira, definitivamente, para “não causar divisões”. “Não o lamento. Sempre disse que, tendo sido uma solução para o partido no passado não queria tornar-me agora um problema”, afirmou. O seu anúncio põe fim à incerteza que rondava o seu regresso à política, pois Jospin tinha dito que só seria candidato para evitar os estragos de candidaturas que considera ‘fracturantes’, como a de Ségolène.
PERFIL
Marie-Ségolène Royal, nascida em Dakar, Senegal (1952), é a única candidata às presidenciais da muito machista República francesa. Licenciada em Ciências Económicas e Ciência Política, teve vários cargos ministeriais, entre eles a pasta do Ambiente (1992-93). Preside ao conselho regional de Poitou-Charentes e defende posições contrárias à linha socialista dominante, opondo-se ao casamento entre homossexuais.
OS PRETENDENTES
DOMINIQUE S.-KAHN
O antigo ministro das Finanças é um dos candidatos mais respeitados a nível internacional. Internamente é conhecido pela recuperação económica da França nos anos 90. Carismático e comunicativo, é o provável primeiro-ministro de uma presidência de Ségolène.
LAURENT FABIUS
Líder de governo sob o presidente François Miterrand, Fabius dividiu o partido no passado ano ao opor-se à Constituição Europeia, à revelia da orientação oficial socialista. Tem tentado conquistar os votos mais à esquerda ao defender o aumento do ordenado mínimo e novas políticas sociais.
JACK LANG
Tornou-se conhecido graças a políticas muito interventivas à frente do Ministério da Cultura nos anos 80. Quer uma reforma constitucional que diminua os poderes presidenciais e os seus gastos.
FRANÇOIS HOLLAND
É o secretário-geral do Partido Socialista e companheiro afectivo de Ségolène. Nas sondagens surge em último lugar mas tem sido o fiel da balança nas disputas internas. Os analistas consideram-no uma escolha de compromisso em caso de forte divisão interna.
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