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Correio da Manhã

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Segunda volta amplia derrota de Bolsonaro nas Municipais no Brasil

Apenas dois dos 13 candidatos apoiados pelo presidente conseguiram ser eleitos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 1 de Dezembro de 2020 às 10:07
Resultados são interpretados como uma rejeição do radicalismo de Bolsonaro
Resultados são interpretados como uma rejeição do radicalismo de Bolsonaro FOTO: ADRIANO MACHADO/reuters
A segunda volta das municipais brasileiras, realizadas domingo nas 57 cidades com mais de 200 mil eleitores onde na primeira nenhum candidato tinha alcançado a maioria, ampliou a derrota pessoal e política de Jair Bolsonaro. Os dois últimos candidatos bolsonaristas ainda na disputa, Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, e Capitão Wagner, em Fortaleza, foram derrotados.

Na somatória das duas voltas, a derrota do presidente brasileiro foi fragorosa. Dos 13 candidatos a autarca pelos quais fez campanha, só dois se elegeram, e em cidades menores, e dos 78 candidatos a vereador que apoiou por todo o Brasil somente um conseguiu ser eleito.

Os partidos tradicionais, que Jair Bolsonaro bateu em 2018 comandando uma fortíssima onda de conservadorismo e que pareciam fadados a desaparecer, voltaram em força e dominaram o cenário das autárquicas, numa clara rejeição dos brasileiros ao radicalismo dos últimos dois anos. O MDB, Movimento Democrático Brasileiro, de centro, o mais tradicional de todos, voltou a ser isoladamente o maior vencedor, elegendo 784 autarcas, seguido pelo Partido Progressista (PP), de direita moderada, com 685, o Partido Social Democrata (PSD), 654, Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de centro-esquerda, 520, e o Partido Democratas (DEM), de centro-direita com 464.

Juntos, estes cinco partidos, todos moderados e respeitadores das regras democráticas, vão comandar 3107 cidades, mais da metade dos 5668 municípios do Brasil, entre elas as maiores do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. O PSL, Partido Social Liberal, pelo qual Bolsonaro se elegeu em 2018, amargou uma derrota constrangedora, não elegendo autarca em nenhuma das 100 maiores cidades do país. Destaque ainda para a reeleição de Bruno Covas (PSDB) em São Paulo e a vitória de Eduardo Paes (também do PSDB) no Rio de Janeiro.

Nova derrocada eleitoral do Partido dos Trabalhadores
O PT, que em 2016 tinha eleito apenas 254 autarcas, uma queda brutal em relação à força que já teve, este ano caiu ainda mais e elegeu apenas 184. O ex-presidente Lula da Silva, que é cada vez mais contestado dentro do PT, contribuiu para essa nova derrocada, recusando-se a apoiar candidatos do PT que não foram indicados por ele e pedindo até votos para adversários do partido que ajudou a fundar em 1981.

pormenores
Fenómeno Boulos
Guilherme Boulos, do pequeno Partido Socialismo e Liberdade, que já tinha surpreendido na primeira volta ao alcançar 20% dos votos em São Paulo, foi derrotado na segunda ronda pelo atual autarca, Bruno Covas, mas voltou a surpreender conquistando 40,62% dos votos, confirmando-se como a nova força da esquerda.

Eleito no hospital
Maguito Vilela, eleito autarca de Goiânia, capital do estado de Goiás, nem chegou a fazer campanha pois está há um mês internado em estado grave num hospital de São Paulo devido à Covid-19. Os médicos reduziram-lhe a sedação para o informar da vitória e ele, sem conseguir falar, chorou em silêncio.Marcelo crivella, aliado de bolsonaro, perdeu a câmara do rio.
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