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Correio da Manhã

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Segundo deputado da oposição abatido

A espiral de violência no Quénia prossegue, apesar de todas a tentativas de mediação. Ontem, o assassínio de mais um deputado da oposição queniana forçou à interrupção das negociações, mediadas por Kofi Annan, entre os apoiantes do presidente Mwai Kibaki e do líder opositor, Raila Odinga. O homicídio foi classificado de “crime passional” pelas autoridades, mas o partido oposicionista de Odinga, Movimento Democrático Laranja (ODM), fala de “execução” política.
1 de Fevereiro de 2008 às 00:30
O deputado David Kimutai Too foi morto por um polícia de trânsito na cidade de Eldoret, no Vale do Rift. O responsável pelo homicídio foi detido, mas o facto não aplacou Odinga. “A intenção deste assassínio é reduzir a maioria do ODM”, afirmou. Seguidores do partido exigiam, entretanto, junto à prisão de Eldoret, a entrega do polícia. “Deixem-no sair para podermos fazer a nossa justiça”, gritavam, classificando o crime de “conspiração do governo para desmantelar a ODM”.
Kimutai é o segundo deputado morto durante a violência que já vitimou mais de 850 pessoas desde a reeleição de Kibaki, no final de Dezembro, numas presidenciais impugnadas pela oposição. Melitus Were, também deputado da oposição, foi abatido a tiro na segunda-feira, à porta de sua casa, em Nairobi. Um crime que reacendeu a onda de vinganças étnicas e políticas no Quénia.
Recorde-se que após as eleições os apoiantes de Kibaki, maioritariamente da tribo Kikuyu, foram os primeiros a sofrer agressões e exerceram, desde então, vingança sobre os Luo, tribo de Odinga, e ainda sobre os Luhya e Kalenjin, igualmente apoiantes da oposição.
O novo homicídio político aconteceu quando Annan dava início, em Nairobi, a uma série de consultas directas com representantes do governo e da oposição para negociar uma saída da crise. Kibaki, de 76 anos (actualmente a participar na Cimeira da União Africana, em Adis Abeba, onde o tema dominante é a instabilidade no Quénia) afirma ser presidente por direito, após a vitória eleitoral, mas está aberto a uma partilha do poder, como desejam os EUA e boa parte da comunidade internacional. Odinga, de 63 anos, afirma, por seu lado, ter sido alvo de fraude na contagem dos votos e exige a demissão de Kibaki ou a repetição das eleições após um período de transição com poder partilhado.
O Conselho de Segurança da ONU lamentou o agravamento da situação num país até há pouco considerado exemplo de paz e desenvolvimento em África.
SAIBA MAIS
8 é o número de provínciasdo Quénia, cada uma das quais governada por um comissário nomeado pelo presidente.
2,5 é o número de habitantes de Nairobi, capital do Quénia e cidade mais populosa do país. Mombaça,a segunda maior cidade, tem pouco mais de 700 mil habitantes.
POBREZA
O Quénia teve uma taxa de crescimento anual de 6,6%no primeiro decénio depois da independência, em 1963. Após décadas de crise, a economia queniana recuperou nos últimos anos, retomando um crescimento na ordem dos 6%. Apesar disso, o rendimento per capita é de apenas cerca de um euro.
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