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Correio da Manhã

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Segurança detido por gravar o vídeo

As autoridades iraquianas anunciaram ontem a detenção de um guarda suspeito de ter sido o autor da gravação ‘pirata’ da execução do antigo ditador Saddam Hussein, no mesmo dia em que se multiplicaram as versões sobre o que se passou no interior da sala de execuções.
4 de Janeiro de 2007 às 00:00
Memorial em honra de Saddam Hussein na cidade de Samara; execução do ditador está a dividir o país
Memorial em honra de Saddam Hussein na cidade de Samara; execução do ditador está a dividir o país FOTO: Nuhad Hussin, Reuters
Um dia depois de o governo ter ordenado a abertura de uma investigação, foi anunciada a detenção de um dos guardas que estavam no interior da sala de execuções, e que terá sido o autor da gravação. O suspeito estava a ser interrogado e eram esperadas novas detenções, mas outras versões entretanto vindas a público lançam sérias dúvidas sobre o que realmente se terá passado, chegando uma delas a apontar o dedo a “dois altos responsáveis do governo iraquiano”.
Esta acusação, gravíssima, foi feita pelo procurador Munqith Faroon, cuja voz se ouve na gravação a pedir respeito pelo homem que ia ser executado. Um dos acusados por Faroon é o conselheiro de Segurança Nacional do governo, Mowaffak al-Rubaie, que negou peremptoriamente o seu envolvimento. Segundo Rubaie, terão sido “elementos externos que conseguiram infiltrar-se na sala” os autores da gravação e dos insultos, e chegou mesmo a sugerir que alguns deles tomaram o lugar dos carrascos originalmente escalados para a execução. Outra versão alega ainda que os insultos vieram do exterior da sala e terão sido gritados por seguranças.
O governo afirma que a divulgação da gravação teve como único objectivo inflamar ainda mais os ódios sectários no país. “Quem quer que tenha feito isto quis prejudicar os esforços de reconciliação nacional e alargar o fosso entre xiitas e sunitas”, afirmou Rubaie.
EUA "TERIAM FEITO DIFERENTE"
As forças militares norte-americanas no Iraque asseguraram ontem que “não tiveram nada a ver” com o que se passou no interior da sala de execuções, e garantiram que “as coisas teriam sido diferentes” se tivessem sido elas a organizar a execução de Saddam Hussein. “Se fossemos nós que tivéssemos a custódia dele as coisas teriam corrido de maneira diferente”, afirmou o porta-voz das forças dos EUA, general William Caldwell, numa crítica velada à actuação das autoridades iraquianas.
Segundo Caldwell, os militares norte-americanos limitaram-se a transportar Saddam de helicóptero até ao complexo prisional onde foi executado, deixando todas as medidas de segurança, incluindo a apreensão dos telemóveis das testemunhas, às forças iraquianas.
Entretanto, a Casa Branca esclareceu ontem que o presidente George W. Bush “ainda não viu” o vídeo ‘pirata’ que mostra a execução de Saddam, nem faz tenções disso.
DESENVOLVIMENTOS
BAN KI-MOON
O novo secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-Moon, está a ser duramente criticado por não ter condenado a execução de Saddam Hussein, invertendo assim a posição habitual da ONU no que diz respeito à pena capital.
DISTRIBUÍDO
O vídeo que mostra na íntregra a execução de Saddam está já a circular entre a população iraquiana, através da internet e dos telemóveis. O governo receia que os insultos contra Saddam levem a população a crer que se tratou de um linchamento político.
PM QUER SAIR
O primeiro-ministro (PM) iraquiano Nuri al-Maliki afirmou ontem que ocupou o cargo a contragosto e preferia deixar a posição antes do final do seu primeiro mandato. “Só aceitei ser primeiro-ministro porque julguei servir o interesse nacional”, afirmou.
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