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Correio da Manhã

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Segurança mobiliza aviões de combate

Lisboa vai ser durante hoje e amanhã uma das cidades mais vigiadas do Mundo. Tudo graças à reunião do Quarteto da Paz para o Médio Oriente, que traz à capital portuguesa figuras como a chefe da diplomacia norte-americana, Condoleezza Rice, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. Para assegurar que tudo decorre sem problemas a PSP montou a maior operação de segurança alguma vez realizada no nosso país, com centenas de homens nas ruas, atiradores furtivos nos telhados e até um helicóptero a vigiar os céus lisboetas.
19 de Julho de 2007 às 00:00
Blair com  o MNE italiano Massimo D’Alema
Blair com o MNE italiano Massimo D’Alema FOTO: Danilo Schiavella/Reuters
O número de agentes envolvido na operação não foi divulgado, mas será certamente na ordem das centenas: só batedores serão 60. Os percursos entre os hotéis onde ficarão hospedados os participantes e o Centro Cultural de Belém, onde decorrerá à tarde a reunião do Quarteto, serão alvo de vigilância especial, tendo a PSP identificado vários pontos sensíveis. Os participantes viajarão em veículos blindados acompanhados por escolta e haverá snipers em telhados.
Toda a operação será acompanhada por um helicóptero da Força Aérea Portuguesa, que terá a bordo um comando operacional da polícia com a missão de coordenar os percursos das várias entidades e comando de meios no terreno. De prevenção estarão os caças F16 estacionados na Base Aérea de Monte Real.
“O dispositivo geral de segurança será eficaz, pronto para responder a qualquer ameaça, mas discreto”, assegurou um responsável operacional da PSP, adiantando que o dispositivo montado inclui membros do Grupo de Operações Especiais (GOE), do Corpo de Intervenção e das Brigadas de Intervenção Rápida.
Junto aos hotéis e ao CCB haverá ainda ruas cortadas ao trânsito e locais de estacionamento interditos já a partir da manhã de hoje.
TONY BLAIR PASSA A MEDIADOR
A reunião do Quarteto em Lisboa marca a estreia oficial do novo enviado especial do grupo ao Médio Oriente, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. O ex-chefe do governo esteve já ontem reunido com o representante especial para a política externa da União Europeia, Javier Solana (também presente hoje em Lisboa), com quem pretende colaborar de forma “muito intensa”. A definição do papel que Blair irá desempenhar é, de resto, um dos objectivos desta reunião do Quarteto, que visa igualmente relançar o processo de paz israelo-palestiniano. Este é o primeiro encontro de alto nível do Quarteto desde que o Hamas tomou o poder em Gaza e desde que o presidente dos EUA anunciou, no início desta semana, a sua intenção de realizar no Outono uma conferência internacional de paz para o Médio Oriente. Presentes na reunião estarão ainda, para além de Blair e Solana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, anfitrião do encontro e presidente em exercício do Conselho de Ministros da União Europeia.
RELATÓRIO CRÍTICA OLMERT
O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert, o ex-ministro da Defesa Amir Peretz e o antigo chefe do Estado-Maior general Dan Halutz “falharam estrepitosamente” na protecção de civis israelitas durante a guerra com o Hezbollah, no ano passado, revela um relatório do Supervisor do Estado. “Os líderes nacionais investiram a maior parte dos seus esforços nos combates no Líbano em vez de protegerem a retaguarda, que sofreu grave danos desde os primeiros dias da guerra. Esta conduta criou um vazio na frente interna, deixando expostos, vulneráveis e indefesos os residente do norte de Israel”, afirma o relatório, de 582 páginas, que conclui que Olmert e os restantes visados “falharam estrepitosamente no processo de tomada de decisões, avaliação e gestão da frente interna”. Recorde-se que 43 civis israelitas foram mortos durante o conflito por rockets lançados pelo Hezbollah contra o norte de Israel.
SAIBA MAIS
2002
Foi o ano em que foi criado o Quarteto para a Paz no Médio Oriente, que é formado pelos EUA, Rússia, Nações Unidas e União Europeia.
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Eram as fases previstas no Roteiro para a Paz elaborado pelo Quarteto. A primeira previa o fim da violência e o congelamento dos colonatos, a segunda a normalização de relações e a terceira o acordo final.
ENVIADO ESPECIAL
O antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair foi no mês passado nomeado enviado especial do Quarteto.
ROTEIRO PARA A PAZ
O Quarteto é o autor do Roteiro para a Paz no Médio Oriente, um ambicioso plano de resolução do conflito israelo-palestiniano, que fracassou devido à violência.
A DIVISÃO DOS TERRITÓRIOS PALESTINIANOS
CISJORDÂNIA
Dominada pela secular Fatah, o presidente MAhmoud Abbas tem o seu quartel-general Ramallah
População – 2 milhões
Refugiados – 705 207
Desemprego – 17%
Área – 5860 km2
FAIXA DE GAZA
Controlada pelo Hamas
População - 1,4 milhões
Refugiados – 993 818 (22% por cento dos refugiados palestinianos registados residem Gaza)
Desemprego – 30%
Área – 360 km2
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