Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Seis elefantes mortos num só dia por caçadores furtivos na Etiópia

Animais foram abatidos na passada semana quando se aventuraram a sair do Parque Nacional Mago para beber água.
Correio da Manhã 3 de Junho de 2020 às 08:26
Presas de elefante
Presas de elefante FOTO: Getty Images

Pelo menos seis elefantes foram mortos por caçadores furtivos num só dia na Etiópia, tornando-se no maior massacre do tipo no país da África Oriental.

Segundo o jornal The Guardian, a informação foi divulgada pelas autoridades da vida selvagem esta terça-feira. 
Os animais foram abatidos na passada semana quando se aventuraram a sair do Parque Nacional Mago, no extremo sul do país, para beber água, disse Ganabul Bulmi, o diretor do parque, a repórteres.

"Os caçadores removeram todas as presas dos elefantes. Foi um assassinato em massa. Nunca vimos nada assim antes ", afirmou Ganabul Bulmi, diretor do parque.

Há uma investigação a decorrer, uma vez que outros dois 
elefantes podem ter sido mortos no mesmo dia.

"Foi difícil deter os autores porque os moradores da região estão armados e não estavam dispostos a envolver as autoridades", acrescentou Ganabul.

Segundo as autoridades da vida selvagem, a Etiópia tinha mais de 10.000 elefantes na década de 1970, mas a caça furtiva e a degradação do habitat reduziram o número para cerca de 2.500 a 3.000 nos últimos anos.

"No ano passado, documentámos 10 mortes de elefantes", revelou Daniel Pawlos, diretor de tráfico e controlo da Wildlife Conservation Authority, uma entidade governamental. No entanto, o diretor do organismo relembra que a demanda dos animais desencadeia caça ilegal. "O que diferencia o último incidente de caça furtiva é o alto número de elefantes mortos num só dia", admitiu Pawlos.

As autoridades suspeitam que a maioria das presas de elefante e produtos acabados sejam retirados do país para a China e para os países do sudeste asiático. Em 2015, oficiais etíopes queimaram 6,1 toneladas de presas ilegais de elefantes, objetos de marfim, esculturas e várias formas de joias para desencorajar a caça furtiva e o comércio de marfim.

Por todo o país, os esforços de conservação foram frustrados nos últimos anos pela agitação civil e pela transição política após a nomeação de Abiy Ahmed como primeiro-ministro em 2018.

No Botswana, onde vivem cerca de 130.000 elefantes, as licenças de caça estão a ser novamente vendidas após uma proibição de cinco anos, suspensa em 2019. 

As autoridades do país afirmam que a caça é necessária para aliviar o conflito entre animais e seres humanos, especialmente agricultores, cujas plantações e infraestrutura foram destruídas por elefantes que circulavam fora das zonas de alimentação.

Os ambientalistas estão divididos sobre os melhores meios para gerir o conflito, temendo que a caça licenciada possa alimentar a demanda e, assim, incentivar ainda mais a caça ilegal.

Etiópia África Oriental Ganabul Bulmi Daniel Pawlos ambiente interesse humano natureza animais
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)