Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
3

Senador Bernie Sanders quer corte de relações entre EUA e Brasil caso Bolsonaro cumpra as ameaças de golpe

"Seria inaceitável para os EUA reconhecer e trabalhar com um governo que, na verdade, tenha perdido as eleições", disse Bernie Sanders.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 13 de Agosto de 2022 às 14:40
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

O senador democrata norte-americano Bernie Sanders vai propor ao Senado dos Estados Unidos da América que país rompa relações com o Brasil se o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não aceitar uma eventual derrota nas presidenciais de outubro e cumprir as repetidas ameaças de dar um golpe de Estado. Bolsonaro, que surge em todas as sondagens em segundo lugar, bem atrás do seu maior adversário, o antigo presidente Lula da Silva, ameaça quase diariamente que não aceitará uma derrota e que poderá usar as Forças Armadas para se manter no poder.

"Seria inaceitável para os EUA reconhecer e trabalhar com um governo que, na verdade, tenha perdido as eleições. Isso seria um desastre para o povo brasileiro e mandaria uma mensagem desastrosa ao mundo todo sobre a força da Democracia", declarou o senador, eleito pelo estado de Vermont pelo mesmo partido do presidente Joe Biden.

A idéia de Sanders é recolher o máximo possível de assinaturas entre os seus colegas senadores assim que o Senado dos EUA reabrir após as férias, o que vai acontecer ainda em agosto, e aprovar uma moção recomendando a medida contra o Brasil se Bolsonaro cumprir a ameaça de promover uma rutura institucional. Esse tipo de moção não é vinculativa, não obriga o presidente Biden a fazer nada, mas normalmente é levada em consideração pelo executivo dos Estados Unidos na hora de tomar alguma decisão sobre o assunto votado.

Dia 26 de julho, Bernie Sanders recebeu no seu gabinete no Capitólio, o Congresso norte-americano, em Washington, uma comitiva de 19 brasileiros representando várias importantes entidades da sociedade civil do Brasil. Convidados pelo WBO, Washington Brasil Office, uma entidade norte-americanna para cooperação entre os dois países, os brasileiros foram alertar as autoridades dos EUA sobre as ameaças de Bolsonaro e a possibilidade de a jovem democracia brasileira sofrer um revés.

"O que eu ouvi dessa comitiva, infelizmente soa muito familiar para mim, por causa dos esforços de Donald Trump e dos seus amigos de minar a democracia americana. Não estou surpreso que Bolsonaro esteja a tentar fazer o mesmo no Brasil", concluiu o congressista norte-americano, aludindo à invasão do Capitólio a 6 de janeiro do ano passado por seguidores de Trump, que até hoje não reconhece a vitória de Joe Biden nas urnas e, tal como Jair Bolsonaro, avança denúncias de fraude eleitoral que não consegue no entanto provar. 

Ver comentários