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Senador dos EUA acusa Rússia de interferir nas eleições francesas e alemãs

Burr está a liderar o inquérito do Senado à interferência russa nas eleições presidenciais nos EUA, em 2016.
30 de Março de 2017 às 07:34
Richard Burr, senador dos EUA
Richard Burr, senador dos EUA
Richard Burr, senador dos EUA
Richard Burr, senador dos EUA
Richard Burr, senador dos EUA
Richard Burr, senador dos EUA
O presidente da comissão das Informações do Senado dos EUA preveniu na quarta-feira que a Federação Russa está a interferir nas eleições presidenciais francesas, como fez nas norte-americanas em 2016.

O senador Richard Burr, que tem acesso a alguma da mais reservada informação classificada norte-americana, afirmou que Moscovo mostrou uma vontade clara e capacidade para perturbar eleições nas democracias ocidentais.

"O que se pode avaliar é um esforço muito encoberto em 2016 nos EUA, é um esforço muito aberto, tal como encoberto, na Alemanha e na França", disse a jornalistas.

"Lembro-vos que faltam 30 dias para a primeira votação (nas eleições presidenciais) francesa, com quatro candidatos. Será depois reduzida a dois candidatos, em maio", acrescentou.

"Penso que está garantido no pensamento de todos que os russos estão ativamente envolvidos nas eleições francesas", desenvolveu.

Burr está a liderar o inquérito do Senado à interferência russa nas eleições presidenciais nos EUA, em 2016, um esforço que os serviços de informações norte-americanos alegam que foi dirigido pelo presidente russo, Vladimir Putin.

O senador afirmou ainda que a Rússia era potencialmente um "finalizador de equilíbrios" nas eleições europeias, capaz de inclinar o resultado para os candidatos que favorece.

"Portanto, pensamos que é nossa responsabilidade informar o resto do mundo sobre o que se está a passar, porque já se chegou ao assassínio de caráter de candidatos", justificou.

O aviso foi feito dias de pois de a candidata presidencial francesa da extrema-direita, Marine Le Pen, se ter reunido com Putin, em Moscovo.

No último mês, o seu rival, claramente pró-União Europeia, Emmanuel Macron, acusou a Rússia de procurar prejudicar a sua campanha ao espalhar rumores falsos através da impressa estatal.

Em Moscovo, Le Pen, líder da Frente Nacional, disse à AFP que ela e Putin discutiram formas de combater o "fundamentalismo" e que o homem forte russo representa "uma nova visão" do mundo.

"Um mundo novo emergiu nos últimos anos. Este é o mundo de Vladimir Putin, de Donald Trump nos EUA, de (Narendra) Modi na Índia", afirmou a jornalistas.

"Sou provavelmente a única que partilha com todas estas grandes nações uma visão, mais uma vez, de cooperação e não de subserviência, não a visão belicista que tem sido expressa frequentemente pela União Europeia", comparou.

Putin garantiu, durante o encontro, que o Kremlin não interfere na política francesa.

"Não pretendemos interferir, seja como for, nos acontecimentos atuais, mas reservamo-nos o direito de comunicar com todos os representantes de todas as forças políticas do país", afirmou Putin, segundo uma transcrição divulgada pelo Kremlin.
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