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Correio da Manhã

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SEQUESTROS REACENDEM POLÉMICA SOBRE VÉU

O sequestro de dois jornalistas franceses no Iraque por terroristas que exigem o fim da proibição do uso do véu islâmico em França – uma lei que tanta polémica tem causado no país – está a chocar os franceses, que temem a repetição do trágico desfecho de um outro profissional da Comunicação Social, o italiano Enzo Baldoni, executado na semana passada.
30 de Agosto de 2004 às 00:00
O presidente e o governo francês reuniram e apelaram à libertação dos dois reféns no Iraque
O presidente e o governo francês reuniram e apelaram à libertação dos dois reféns no Iraque FOTO: Vladimir Sichov/EPA
O primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, reuniu de imediato o ‘gabinete de crise’ e apelou aos terroristas para libertarem os reféns.
Os sequestradores concederam ao governo um prazo de 48 horas para anular a lei, sob pena de executarem Christian Chesnot e Georges Malbrunot, jornalistas da ‘Radio France Internationale’ e do ‘Le Figaro’. Raffarin cancelou uma deslocação ao Sul do país para presidir a uma reunião de emergência, para a qual convocou os titulares das pastas dos Negócios Estrangeiros, Interior e Comunicações.
O chefe do governo e o presidente francês, Jacques Chirac, reuniram-se também para debater a situação, que assume contornos de extrema sensibilidade em França, onde vivem cinco milhões de muçulmanos. Líderes da comunidade islâmica francesa reagiram ao caso de forma algo nervosa, tendo negado prontamente a existência de quaisquer ligações com os sequestradores, ao mesmo tempo que apelaram, também, à libertação dos jornalistas.
PROIBIÇÃO MUITO CONTESTADA
Aliás, o ministro do Interior, Dominique Villepin, convocou uma reunião do Comité Francês de Culto Muçulmano para abordar o assunto, o que demonstra o esforço que o Eliseu está a fazer no sentido de mobilizar as autoridades.
A tensão é inegável. Segundo a Imprensa francesa de ontem, o governo não poderá dar nenhum sinal de ‘fraqueza’ mas terá que agir com muita subtileza para não ‘armadilhar’ o capital de simpatia conquistado entre a comunidade muçulmana, com a sua oposição à guerra no Iraque. Mas, na questão do lenço islâmico, que causou (e ainda causa) grande controvérsia no país, Chirac tem-se mostrado inflexível, tendo já avisado que, no regresso às aulas,já esta semana, serão severamente punidas todas as estudantes que desafiarem a proibição.
O prazo do ultimato concedido pelo auto-intitulado Exército Islâmico do Iraque deverá expirar hoje à noite. Teme-se que Chesnot e Malbrunot possam acabar como Baldoni, executado pelos sequestradores, alegadamente pertencentes àquele grupo, depois de o governo de Silvio Berlusconi ter ignorado o aviso para a retirada das tropas italianas do Iraque.
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