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Correio da Manhã

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Sérvia não cometeu genocídio na Bósnia

O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) ilibou ontem a Sérvia do crime de genocídio na guerra da Bósnia e Herzegovina, mas considerou que o governo de Belgrado violou as leis internacionais ao não cumprir com a sua obrigação de travar o genocídio cometido pelos seus aliados sérvio-bósnios na cidade de Srebrenica.
27 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Belgrado não agiu para travar massacre de Srebrenica
Belgrado não agiu para travar massacre de Srebrenica FOTO: Damir Sagolj / Reuters
Após quase dez meses de deliberações, o veredicto do TIJ acabou por ser um autêntico ‘balde de água fria’ para o governo bósnio, que tinha apresentado a queixa e exigia uma compensação financeira estimada em milhares de milhões de euros.
De acordo com o veredicto do TIJ, aprovado pelo painel de 15 juízes com 13 votos favoráveis e apenas dois contra, o governo de Belgrado, apesar de apoiar financeira e militarmente os seus aliados sérvio-bósnios, não podia adivinhar a sua intenção de cometer genocídio contra as populações croata e muçulmana da Bósnia.
O Tribunal decidiu, por isso, ilibar o Estado sérvio do crime de genocídio, embora tenha considerado que a Sérvia violou as suas responsabilidades ao abrigo das leis internacionais ao não travar o genocídio da população de Srebrenica, que ficou para a História como o símbolo da barbárie do conflito que abalou a Europa entre 1992-1995. Naquela cidade bósnia, recorde-se, mais de oito mil muçulmanos, na sua maioria do sexo masculino, foram massacrados pelas tropas sérvio-bósnias no espaço de poucos dias, naquele que foi o maior massacre de civis na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Esta foi a primeira vez na história do Tribunal Internacional de Justiça que um país foi acusado de genocídio. Recorde-se que alguns dos responsáveis individuais pelo massacre já foram condenados por genocídio no Tribunal Penal Internacional para os Crimes de Guerra na Ex-Jugoslávia (TPI-J), mas os principais acusados, o líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic e o comandante militar Ratko Mladic, continuam a monte.
A decisão do TIJ foi duramente criticada pelo governo bósnio e pelos sobreviventes do massacre. “Aqueles que na altura estavam na Bósnia sabem o que aconteceu e eu sei muito bem o que vou ensinar aos meus filhos”, afirmou o representante croata na presidência tripartida, Zelko Komsic.
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