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Correio da Manhã

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SETE HORAS DE ASSALTO CONTRA PODER DE SADDAM

Numa acção marcadamente mediática, um grupo da oposição iraquiana até agora desconhecido ocupou ontem a embaixada do Iraque em Berlim, Alemanha, e fez reféns o encarregado de negócios e pelo menos outras cinco pessoas.
20 de Agosto de 2002 às 22:40
Após sete horas de ‘pacífica’ ocupação, unidades especiais da Polícia alemã acabaram por tomar de assalto o edifício e libertaram todos os reféns. Os sequestradores foram todos detidos.

Segundo a Polícia alemã, vários homens armados entraram na embaixada ao princípio da tarde de ontem, tendo sido ouvidos vários disparos no interior do edifício. Pelo menos seis pessoas, incluindo o encarregado de negócios iraquiano, Shamir Mohammed, foram feitas reféns e outras duas pessoas ficaram ligeiramente feridas durante a acção.

A Polícia cercou de imediato o edifício e iniciou negociações com os sequestradores, membros da autodenominada “Oposição Democrática do Iraque”, que não chegaram a fazer qualquer exigência.

Horas depois, e face ao impasse nas negociações, uma unidade de élite da Polícia alemã recebeu ordens para avançar, tendo tomado de assalto o edifício. Numa acção que durou poucos minutos, os cinco membros do grupo foram detidos e os reféns libertados sem que fosse disparado qualquer tiro.

‘Libertar’ o Iraque

Num comunicado emitido pouco após a tomada da embaixada, o grupo, que até agora era completamente desconhecido, havia assegurado que a sua acção era “pacífica e temporária” e que visava dar início à “libertação” do Iraque. “Em nome do povo iraquiano e da sua liderança legítima, a oposição iraquiana, declaramos que a libertação do solo iraquiano tem hoje início. Tomámos a embaixada iraquiana em Berlim e este é o primeiro passo para a libertação da nossa amada Pátria”, afirmava o comunicado.

O Congresso Nacional Iraquiano, que reúne seis grupos da oposição iraquiana no exílio, distanciou-se já dos elementos que levaram a cabo a ocupação da embaixada, embora tenha admitido que o ataque demonstra a “frustração” dos iraquianos com a posição contrária do governo alemão face a uma eventual intervenção internacional no Iraque.

O regime de Bagdad já considerou, por seu lado, a ocupação da sua embaixada como “uma agressão terrorista” levada a cabo por “mercenários ligados aos serviços secretos americanos e israelitas”. O governo alemão também condenou o incidente, considerando que a violação da imunidade diplomática da embaixada é “inaceitável”.

Pressão sobre Schroeder

Vários comentadores ouvidos pelas televisões alemãs ontem à tarde foram unânimes em considerar que esta acção visa

pressionar a Alemanha a apoiar um eventual ataque americano contra o Iraque.

O chanceler Gerhard Schroeder, recorde-se, tem-se mostrado contrário a uma intervenção internacional para afastar Saddam Hussein, e a questão transformou-se já num dos principais assuntos da campanha eleitoral para as legislativas alemãs do próximo mês.
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