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Correio da Manhã

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SEUL E PYONGYANG TROCAM ACUSAÇÕES

As duas Coreias trocaram ontem acusações sobre o incidente naval de sábado que, segundo fontes sul--coreanas, deverá ter ferido ou morto pelo menos 30 marinheiros norte--coreanos.
30 de Junho de 2002 às 22:49
Pyongyang acusa a Coreia do Sul de aproveitar a concentração de atenções mundiais no país a propósito da realização do Mundial de Futebol para encenar o ataque e dessa forma justificar o esfriamento das relações bilaterais. Seul responde, considerando que a Coreia do Norte quis estragar a sua festa, pois Seul é, juntamente com o Japão, hospedeiro daquele evento desportivo.

Recorde-se que a Coreia do Sul foi a primeira a atirar responsabilidades ao vizinho do Norte, que acusa de violar a sua fronteira marítima e disparar sobre uma fragata sua, matando quatro marinheiros e ferindo 20 outros, facto pelo qual desde logo exigiu um pedido de desculpas. Ontem, Pyongyang, que admitiu a existência de vítimas norte-coreanas no incidente, mas sem confirmar o número adiantado por Seul, apelidou o pedido de desculpa “cúmulo da impudência”. “A séria provocação militar da Coreia do Sul visou orquestrar um incidente grave enquanto o Mundial de Futebol decorre e depois atirar as culpas à Coreia do Norte”, afirmou um porta-voz.

Mas Seul insiste na sua versão e promete não deixar passar a “flagrante violação do acordo de cessar-fogo”. Assinale-se que desde o final da Guerra civil de 1950-53 os dois países permaneceram tecnicamente em guerra, pois assinaram um armistício mas nunca chegaram a firmar um tratado de paz.

Os EUA manifestaram o seu apoio a Seul e afirmaram que o incidente pode retardar a visita a Pyongyang, marcada para o próximo mês, de um alto dignitário da Casa Branca. Japão, China e Rússia manifestaram preocupação com o caso e apelaram ao diálogo entre as duas partes.
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