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Correio da Manhã

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SHARON DESPEDE MINISTROS

O primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, demitiu dois ministros do seu governo, membros do pequeno partido conservador União Nacional, com o objectivo de garantir, em sede de Conselho de Ministros, maioria de votos a favor do seu plano de afastamento unilateral do conflito com os palestinianos.
4 de Junho de 2004 às 14:16
O plano unilateral de afastamento do conflito com os palestinianos proposto por Sharon prevê o abandono dos 21 colonatos judaicos no território autónomo palestiniano da Faixa de Gaza e de 4 dos 120 colonatos na Cisjordânia até ao final de 2005, além da construção de uma barreira fortificada na fronteira entre a Cisjordânia e Israel. O plano tem o apoio de Washington, mas é contestado pelos palestinianos, por considerarem que a manutenção de colonatos na Cisjordânia irá perpetuar a ocupação israelita.
Também no universo político israelita há resistências ao plano de Sharon. Os membros do partido Likud (de Sharon) rejeitaram o plano em referendo e o antigo primeiro-ministro e actual ministro das Finanças Benjamin Netanyahu assume-se como o principal opositor ao plano, recusando ceder um milímetro de terra aos palestinianos. No fim-de-semana passado, no habitual Conselho de Ministros israelita, domingo, Sharon apresentou o plano aos seus ministrso, mas não lhes pediu um voto. O primeiro-ministro quis ganhar tempo para negociações nos bastidores, mas estas não produziram resultado e o plano vai ser submetido a votação no Conselho de Ministros do próximo domingo, dia 6.
Depois de terem fracassado ontem à noite negociações de última hora com Netanyahu, o primeiro-ministro israelita não teve outra hipótese se não alterar os ‘pesos na balança’. Com 11 ministros a favor e 12 contra o plano, Sharon optou por demitir dois ministros do campo do ‘não’, o ministro do Turismo, Benny Elon, e o ministro dos Transportes, Avigdor Lieberman, ambos da União Nacional, um dos pequenos partidos conservadores que integra a coligação governamental israelita.
O ambiente dentro do governo israelita está de tal forma pesado que os dois ministros recusaram deslocar-se ao gabinete de Sharon, após este os ter chamado, ontem à noite, para os despedir. O primeiro-ministro foi obrigado a enviar as cartas de demissão por um estafeta.
Sharon pode ter salvo o seu plano com esta remodelação governamental, mas colocou o seu Governo à beira do ‘abismo’. É que com a saída da União Nacional da coligação governamental, Sharon fica dependente do Partido Religioso Nacional, pequena formação pró-colonatos, que ameaçou abandonar a coligação caso o plano seja aprovado. Essa saída pode deixar o governo de Sharon em minoria parlamentar, obrigando-o a uma solução de unidade nacional em parceria com a oposição trabalhista, ou a convocar eleições antecipadas.
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