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Correio da Manhã

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Siameses unidos pelo tórax são separados

Crianças tinham um único fígado e órgão genital.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 25 de Fevereiro de 2015 às 16:19
Artur e Heitor, gémeos siameses
Artur e Heitor, gémeos siameses

Numa delicada cirurgia que demorou 15 horas e na qual trabalharam, ao todo, 51 profissionais de várias áreas, os médicos do Hospital Materno-Infantil da cidade brasileira de Goiânia, capital do estado de Goiás, conseguiram separar os irmãos siameses Artur e Heitor, de cinco anos. Segundo o boletim médico emitido pelo hospital esta quarta-feira, horas após o fim da operação iniciada na tarde de terça-feira, os irmãos estavam nessa altura a receber cuidados especiais numa Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e o estado era considerado grave.

Os meninos estavam unidos pelo tórax, abdómen e bacia e tinham um único fígado e um único órgão genital. Ao todo possuíam três pernas, mas após a cirurgia cada um ficou apenas com uma e os pedaços da pele e do fémur da terceira foram guardados para uso posterior na recuperação das crianças.

Artur e Heitor, apesar da situação crítica em que viveram nos últimos cinco anos, colados um ao outro, foram ensinados a ler e escrever pela mãe, Eliane Leto Rocha Brandão, não tendo qualquer dificuldade de aprendizagem. Eliane, a progenitora, é da pequena cidade de Riacho de Santana, no interior do estado da Bahia, nordeste do Brasil, e desde 2010 que vive em Goiânia, para ficar perto do hospital onde os filhos receberam cuidados ao longo da sua curta e já dolorosa vida, enquanto o marido e a filha mais velha do casal continuaram na Bahia.

De acordo com os médicos do Hospital Materno-Infantil de Goiânia, as próximas 48 horas serão decisivas para o futuro dos irmãos. As crianças têm temperamentos completamente opostos e repetiam várias vezes que estavam ansiosas por se separarem e poderem fazer coisas sem autorização do outro.

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