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Correio da Manhã

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Sinais de esperança em Nova Orleães

Afinal, o número de vítimas do furacão ‘Katrina’ poderá ser bastante inferior aos dez mil mortos inicialmente estimados. A boa notícia foi conhecida no mesmo dia em que o presidente George W. Bush visitou pela terceira vez a cidade e pela primeira vez não se limitou a ver os estragos do ar.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Bush visitou as ruas inundadas de Nova Orleães
Bush visitou as ruas inundadas de Nova Orleães FOTO: Shawn Thew (Epa)
“O número de mortos deverá ser bastante inferior ao que tínhamos estimado inicialmente”, afirmou o general Russel Honore, o militar que lidera as operações de socorro e recuperação da cidade devastada. Recorde-se que ainda a meio da semana passada o presidente da câmara de Nova Orleães, Ray Nagin, afirmava que o número de vítimas iria certamente ultrapassar as dez mil. “Esse número foi avançado numa altura de grande emoção e não era baseado em factos reais”, assegurou o general Honore, moralizado pelo número relativamente pequeno de cadáveres encontrados até agora. O último balanço, avançado ontem pelas autoridades, era de 426 mortos.
Mas este não é único sinal de esperança em Nova Orleães. As águas estão a recuar mais depressa que o previsto e apenas 40 por cento da cidade estava ontem alagada, em contraste com cerca de 80 por cento nos dias imediatamente a seguir à passagem do furacão. As autoridades garantiram também que nenhum dos habitantes que ficou na cidade será obrigado a sair pela força.
O recuo das águas permitiu já a reabertura do aeroporto internacional da cidade, por enquanto para aviões de carga, mas deverá ser reaberto ao tráfego de passageiros, de forma limitada, até ao final desta semana.
Ontem, pela primeira vez, algumas dezenas de comerciantes foram autorizadas a entrar na cidade para avaliar o estado em que ficaram as suas lojas e recuperar documentos importantes, no mesmo dia em que a principal estação de tratamento de esgotos da cidade recomeçou a operar.
Outra boa notícia é que as águas que ainda cobrem parte da cidade não estão contaminadas com produtos químicos perigosos, muito embora a matéria fecal presente nas águas continue a ser perigosa para a saúde. Para evitar a propagação de doenças, helicópteros começaram ontem a pulverizar insecticida sobre a cidade para matar os mosquitos.
Por entre os primeiros sinais de recuperação, o presidente Bush voltou ontem a Nova Orleães e percorreu as ruas da cidade num camião do Exército, em vez de apenas observar os estragos do ar como havia feito antes. Bush aproveitou para garantir mais uma vez que a resposta à crise não foi atrasada por motivos raciais nem pela falta de recursos militares devido à guerra no Iraque.
OUTROS DESENVOLVIMENTOS
ZARQAWI
O terrorista Abu Musab al-Zarqawi voltou a afirmar que o ‘Katrina’ foi “a resposta às orações dos iraquianos e afegãos” que sofreram por causa dos EUA.
CÃES SALVOS
O milionário texano Boone Pickens fretou um avião para evacuar dezenas de cães abandonados em Nova Orleães. Os animais foram levados para abrigos na Califórnia.
'OPHELIA'
O furacão ‘Ophelia’, que se encontra ao largo dos EUA, começou a deslocar-se em direcção à Carolina do Norte e do Sul, onde foi emitido um pré-aviso de tempestade.
ESPANHA
A Marinha espanhola emprestou o navio de transporte e desembarque de tropas ‘Castilla’ à NATO para participar na operação humanitária de assistência às vítimas do ‘Katrina’.
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