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Sindicato dos Médicos de Angola diz ter provas diferentes da polícia sobre morte de Sílvio Dala

Sílvio Dala morreu quando foi levado pela polícia para uma esquadra, porque estava a conduzir sem máscara.
Lusa 12 de Setembro de 2020 às 17:04
Baía de Angola
Baía de Angola FOTO: Getty Images
O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) anunciou este sábado, em Luanda, que tem provas concretas de que o seu colega, Sílvio Dala, não faleceu de enfarte agudo do miocárdio, mas por outras causas.

A informação foi este sábado avançada pelo presidente do SINMEA, Adriano Manuel, no protesto da classe médica, em memória do pediatra Sílvio Dala, que morreu no dia 01 de setembro, quando foi levado pela polícia para uma esquadra, porque se encontrava a conduzir sem máscara facial.

Com uma afluência de perto de 300 médicos, trajados de preto e com dizeres nas camisolas como "Exigimos Justiça; Os médicos Exigem Dignidade e Respeito; Não nos Matem, o Povo Precisa de Nós", ou envergando batas brancas com manchas vermelhas a imitar sangue, a marcha decorreu sem incidentes e sob proteção de dezenas de polícias.

Na sua intervenção, Adriano Manuel sublinhou que é preciso que sejam esclarecidas as verdadeiras causas que levaram à morte o médico Sílvio Dala.

"Por isso, nós vamos obrigatoriamente continuar com o nosso projeto. Temos a necessidade de, na próxima semana, levarmos a tribunal, pois temos provas concretas que o nosso colega não faleceu de enfarte agudo do miocárdio, teve outras causas que jogaram um papel muito importante", disse.

Adriano Manuel insurgiu-se também contra a bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, que se demarcou da marcha organizada pelo SINMEA.

"Nós tivemos a oportunidade de observar ontem (sexta-feira), infelizmente, a entrevista da nossa bastonária e nós não gostamos nada de ouvir aquilo, por isso na próxima semana o sindicato vai se pronunciar sobre isso", referiu Adriano Manuel, apelando para a calma dos médicos.

Em declarações à agência Lusa, o médico Rodrigo João considerou "uma tristeza" o atual momento, lamentando a morte de um profissional "que podia servir a nação durante vários anos".

"Infelizmente, não houve piedade e o cidadão morreu em circunstâncias não devidamente definidas", referiu, reiterando a tristeza entre a classe médica.

Rodrigo João defendeu uma polícia "mais humanista" que deve priorizar a pedagogia.

"Quando um cidadão cometer um erro, deve ser chamado a atenção, corrigir o erro desse cidadão, de modo que, das próximas vezes, o cidadão possa agir de melhor forma e não logo perder a vida", disse.

Por seu turno, a médica Verónica Nanatcha lamentou a perda de um pediatra face ao baixo número de profissionais existentes nessa área.

"Como se sabe era um médico do Cuanza Norte (...) a província perdeu um pediatra, já somos poucos, principalmente no interior do país", disse Verónica Nanatcha, considerando a perda irreparável.

"Quem vai atender aquelas crianças que o Doutor Dala atendia? Ninguém. Nesse preciso momento essa manifestação é muito importante para nós, para que nos oiçam, para que nos defendam", disse a médica, questionando "porque é que a polícia tem que agir desta maneira".

A marcha dos médicos, iniciada no Largo da Mutamba, a qual se juntou um grupo de jovens, políticos, ativistas cívicos e membros da sociedade civil, terminou em frente à Ordem dos Médicos de Angola, onde foram depositadas as batas como forma de protesto face à morte de Sílvio Dala.

Também centradas na violência policial registada nos últimos dias em Angola, foram realizadas hoje outras manifestações de jovens, em Luanda, a qual aderiram dezenas de pessoas, todas pedindo reformas na Polícia e pedagogia em detrimento de violência.  

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