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Correio da Manhã

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Sistema de alerta pronto para o ano

As Nações Unidas acreditam que é possível montar um sistema de alerta contra tsunamis no Oceano Índico até meio do próximo ano, e alargá-lo a todo o mundo até 2007. Se este sistema estivesse operacional antes do maremoto de 26 de Dezembro, teria sido possível salvar milhares de vidas.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
“Se tudo correr conforme o previsto, um sistema inicial de alerta contra tsunamis no Oceano Índico deverá estar em funcionamento até Junho de 2006”, assegurou o director-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura. A UNESCO opera o único centro regional de alerta contra tsunamis, criado em 1968 na região do Pacífico, e terá a seu cargo a gestão e coordenação do sistema de alerta mundial que a ONU pretende criar.
Para que esta meta seja alcançada é preciso, porém, que exista vontade política e disponibilidade financeira dos países da região, o que não aconteceu há dois anos quando a ONU propôs inicialmente a criação deste sistema. “Infelizmente, vários governos mostraram-se na altura indisponíveis por falta de verbas. Mas a Humanidade aprendeu uma lição. Agora, os doadores estarão disponíveis para conceder mais dinheiro”, afirmou Matsuura.
A criação de um sistema de alerta no Índico deverá custar cerca de 30 milhões de dólares, verba que Matssura afirma ser “insignificante” à luz dos custos humanos e materiais de uma tragédia como a que afectou a região asiática. A extensão do sistema ao resto do mundo deverá custar 130 milhões de dólares, segundo estima a ONU.
HISTÓRIAS DO ÍNDICO
QUERIA VENDER CRIANÇAS
A Polícia do Sri Lanka deteve ontem um homem de 60 anos que tentava vender duas crianças órfãs do tsunami a um casal estrangeiro por 750 euros, confirmando assim os piores receios das autoridades, que na semana passada alertaram para o perigo do tráfico ou abuso de crianças que perderam os pais no maremoto. Neste caso, as autoridades foram alertadas pelo casal estrangeiro ao qual o homem tentou vender as duas crianças, e montaram uma armadilha que levou à sua detenção. O homem não tinha, aparentemente, qualquer laço familiar com os menores.
CATÁSTROFE 'VIRA' FILME
A tragédia causada pelo maremoto no Sudeste asiático vai ser retratada num filme que um realizador indiano está a preparar. Mukeswar Lal está há vários dias no arquipélago indiano de Andaman e Nicobar a falar com sobreviventes e equipas de socorro, à procura de uma história humana que simbolize toda a força da catástrofe que se abateu sobre a região. As filmagens deverão começar assim que estiverem concluídos os trabalhos de recuperação das infra-estruturas do arquipélago, uma das regiões mais afectadas pelo maremoto de 26 de Dezembro.
VODKA COMO DESINFECTANTE
Vodka, whisky e fio dental foram durante vários dias os ‘instrumentos de trabalho’ de um médico espanhol que estava na ilha de Phi Phi, na Tailândia, na altura do maremoto, e que ajudou a montar um hospital improvisado para assistir os inúmeros feridos. Segundo o médico Miguel García contou ao diário ‘El Mundo’, as bebidas alcoólicas eram usadas para desinfectar as feridas, e o fio dental para cosê-las. As fracturas eram imobilizadas com pedaços de madeira arrancados das embarcações destruídas pela onda gigante e os únicos medicamentos eram analgésicos que os turistas tinham consigo.
OUTROS DESENVOLVIMENTOS
MARÉS SOBEM
A inesperada subida das marés nalgumas ilhas do arquipélago indiano de Andaman e Nicobar levou ontem centenas de pessoas a procurar refúgio em terras mais altas, pela segunda noite consecutiva.
TROPAS FORAS
A Indonésia afirmou ontem que as tropas estrangeiras que participam na distribuição de ajuda humanitária às populações afectadas pelo maremoto devem “abandonar o país assim que possível”.
UE GARANTE
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, prometeu que a UE não vai desviar fundos destinados a África para ajudar a reconstrução na Ásia. As verbas virão da reprogramação de fundos atribuídos à Ásia.
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