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Sistema elétrico de Cuba continua a recuperar de terceiro apagão do ano

Até ao momento não foi divulgada a causa desta última falha no sistema, que na segunda-feira deixou cerca de nove milhões de cubanos sem eletricidade pela oitava vez em quase 24 meses.

07 de julho de 2026 às 17:17

O Sistema Elétrico Nacional de Cuba (SEN) está esta terça-feira a recuperar gradualmente quase 24 horas depois de um apagão geral, o terceiro deste ano, estando ainda sem energia algumas zonas da ilha.

O ministro da Energia e Minas cubano, Vicente de la O'Levy, afirmou que o sistema elétrico está "interligado desde Havana até Sancti Spíritus (centro)".

"Foi iniciado o arranque das unidades da central termoelétrica Carlos Manuel de Céspedes", situada na província de Cienfuegos (oeste), e "a prioridade é chegar a Felton", mais precisamente à unidade de geração termoelétrica Lidio Ramón Pérez, no leste da ilha, e continuar, adiantou.

Até ao momento não foi divulgada a causa desta última falha no sistema, que na segunda-feira deixou cerca de nove milhões de cubanos sem eletricidade pela oitava vez em quase 24 meses, embora as autoridades cubanas atribuam a maior parte da responsabilidade pela crise energética na ilha ao bloqueio petrolífero imposto pelos EUA desde janeiro.

A este respeito, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, referiu nas redes sociais que "enquanto os EUA tentam provocar uma revolta social por asfixia, ao bloquear o acesso de combustível a Cuba, a União Elétrica [UNE] mobiliza-se para reverter a queda" do SEN.

"É heroico o que os trabalhadores do setor elétrico fazem no meio de um bloqueio energético genocida", destacou o chefe de Estado cubano.

Em Havana, com cerca de dois milhões de habitantes, o serviço foi restabelecido em 32,6% da cidade, o que corresponde a cerca de 281.447 clientes, e os serviços vitais de saúde estão a ser mantidos em cerca de 43 hospitais da capital, disse a empresa estatal UNE que gere o SEN.

Nas redes sociais, a empresa indicou que o restabelecimento do serviço está a ser gradual e à medida que as condições do SEN o permitem.

Cuba encontra-se mergulhada numa profunda crise energética desde meados de 2024, marcada pelo bloqueio petrolífero dos EUA e pelas centrais termoelétricas obsoletas, com décadas de exploração e sem os investimentos necessários, uma vez que muitas das peças necessárias não chegam à ilha devido às sanções, o que resulta em avarias frequentes na maior parte das unidades de produção de energia cubanas.

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) pediu a Washington e a Havana que "mudem de rumo" face ao agravamento da crise económica e social em Cuba, denunciando tanto as sanções norte-americanas como a falta de liberdade de expressão na ilha.

A ONG lembrou, em comunicado, que o bloqueio petrolífero imposto desde janeiro por Washington "agrava a crise energética do país, intensificando os cortes de eletricidade e a escassez de água e prejudicando os serviços públicos".

"Isto perturba quase todos os aspetos da vida quotidiana" e "a deterioração das condições de vida leva muitos cubanos a lutar diariamente pela sobrevivência", disse na mesma nota.

"Além de esperarem que a eletricidade e a água voltem, muitos [cubanos] passam os dias à procura de comida, de uma fonte de rendimento e de medicamentos", indicou a ONG.

A HRW adiantou que "por mais difíceis que sejam as condições de vida, os cubanos não têm liberdade para expressar o seu descontentamento".

"O Governo [cubano] prende aqueles que se atrevem a manifestar-se", denunciou a ONG, que estimou em 800 o número de presos políticos na ilha comunista.

"Nem a política do Governo cubano nem a do Governo norte-americano devem ser conduzidas em detrimento da capacidade dos cubanos comuns de obterem alimentos ou medicamentos básicos, nem da sua liberdade de expressarem livremente as condições em que vivem", afirmou a diretora para as Américas da HRW, Juanita Goebertus, citada no comunicado.

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