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"Só Deus me tira da cadeira presidencial, se me tirar a vida", diz Bolsonaro sobre impeachment

Presidente do Brasil assegura que as tentativas de o destituir não vão concretizar-se.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Abril de 2021 às 14:48
Jair Bolsonaro minimizou eventual candidatura de Lula da Silva às eleições Presidenciais do próximo ano
Jair Bolsonaro minimizou eventual candidatura de Lula da Silva às eleições Presidenciais do próximo ano FOTO: Reuters

Reiterando, mais uma vez, que está disposto a usar todos os meios, talvez nem todos democráticos, para não sair da presidência do Brasil, Jair Bolsonaro afirmou na noite desta quinta-feira numa live que nem Deus o tira vivo da cadeira para a qual foi eleito em 2018. Bolsonaro, que até agora repetia insistentemente que só Deus o tiraria do poder, esta quinta-feira mudou esse bordão e especificou que, até mesmo Deus só o tira de lá se o matar.

"Realmente, alguma coisa muito errada tem estado a acontecer há muito tempo no Brasil. Só digo uma coisa: só Deus me tira da cadeira presidencial e só me tira, obviamente, se me tirar a vida", desafiou o governante.

O polémico presidente brasileiro fez a declaração horas depois de a juiza Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, ter dado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, cinco dias para explicar a razão de até agora não ter analisado nenhum dos 105 pedidos de impeachment (afastamento) de Jair Bolsonaro apresentados por entidades e cidadãos.

Bolsonaro adiantou que vai falar com Lira sobre isso, mas, novamente em tom de ameaça, como tem feito nos últimos dias, assegurou que as tentativas de o destituir não vão concretizar-se, sem explicar como faria para o impedir.

"O que estamos a ver a acontecer no Brasil (as tentativas de o afastar temporariamente ou destituir) não se vai concretizar, mas não vai mesmo. Não vai. Boa noite, fiquem tranquilos porque eu vou dormir tranquilíssimo esta noite e vamos ver o desenrolar dessa notícia do nosso Supremo Tribunal", completou Bolsonaro ao despedir-se e encerrar a live.

Além desses mais de 100 pedidos de impeachment que enfrenta na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro ficou esta semana ainda mais pressionado e questionado por outros dois motivos.

No Senado, a oposição conseguiu criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar erros e omissões do governo federal no combate à pandemia do Coronavírus, que pode atingir o chefe de Estado em cheio, e, pouco antes da live, o Supremo Tribunal Federal confirmou a anulação de todas as condenações de Lula da Silva, que, dessa forma, fica livre para disputar as presidenciais do próximo ano, a que Bolsonaro já é candidato declarado à reeleição. 

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