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“Só eu é que não recebi dinheiro”

Patrizia D’Addario, prostituta de luxo que desencadeou o escândalo das festas privadas de Silvio Berlusconi, garante ter sido a única que não recebeu dinheiro na sequência de uma alegada armadilha montada ao primeiro-ministro italiano.
6 de Julho de 2009 às 00:30
Patrizia D’Addario desencadeou o escândalo das festas privadas do primeiro-ministro italiano
Patrizia D’Addario desencadeou o escândalo das festas privadas do primeiro-ministro italiano FOTO: direitos reservados

Numa entrevista ao ‘El País’, D’Addario, de 42 anos, assegura que não tem medo de falar e que não foi enviada por ninguém para armar uma cilada a Berlusconi, desmentindo, assim, o chefe do governo, que afirmara que a prostituta de Bari foi muito bem retribuída. "Por quem? Que o demonstre, que diga quanto me pagaram, que apresente na Justiça as provas, os nomes. Não tenho qualquer problema. E, quanto à retribuição, sou a única nesta história que não recebeu dinheiro", declarou.

Tornou-se prostituta de luxo e conseguiu começar as obras de um complexo turístico sonhado pelo pai, mas o projecto foi suspenso em 2007 por questões de impacte ambiental. Para defender o projecto, ao qual tem dedicado os últimos anos, a prostituta garante ter passado uma noite com Berlusconi sem ter cobrado nada. "Confiei nele", refere. Renunciou ao pagamento e logo se sentiu traída pelo político, de quem esperava uma ajuda efectiva no projecto. Foi então que decidiu contar a sua história em tribunal, tornando-se testemunha crucial do ‘Barigate’.

D’Addario descreveu uma das festas, no palácio Grazioli, residência particular de Berlusconi em Roma. "Era um harém onde ele era o único protagonista. Estavam 20 mulheres quando eu e Gianpaolo Tarantini [arranjava prostitutas para o primeiro-ministro] chegámos. Ele [Berlusconi] apareceu e aproximou-se. Eu disse ‘olá’ e ele disse-me: ‘És muito bonita’", recorda.

"Depois pediu-me que me sentasse com ele. Um cachorrinho meteu-se entre os meus pés. Foi-lhe oferecido pela mulher de Bush. Ele disse que não me preocupasse, que não me faria mal. Chama-se ‘Frufru’ e é engraçadíssimo", acrescenta.

APONTAMENTOS

ELEITA DE BERLUSCONI

Numa das festas privadas Patrizia foi escolhida por Berlusconi, que a acariciou diante de outras 20 mulheres e guarda--costas. Outra convidada de Berlusconi, Barbara Monterreale, teceu o comentário: "Que asco!"

TROCAS PROMÍSCUAS

Segundo o relato de Patrizia, Gianpaolo Tarantini era o assessor, facilitador e intermediário de Berlusconi. Um homem disposto a tudo para satisfazer o ‘cliente final’ e obter em troca protecção política e empresarial.

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