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Só falta Kadhafi declarar a rendição

Obama exige que Muammar Kadhafi, de 69 anos, anuncie "expressamente que ele abandona o poder" e era isso que faltava ontem à noite quando mais de 80 por cento da capital da Líbia e também o aeroporto estavam sob controlo das forças do Conselho Nacional de Transição (CNT). O mistério rodeava, porém, o paradeiro do líder líbio, que poderia ter desaparecido no meio da confusão. Isto enquanto o Pentágono garantia que Kadhafi continuava na cidade e decorriam violentos combates na zona da residência oficial de Bab Al-Aziziya.
23 de Agosto de 2011 às 00:30
Por toda a cidade, populares destruíram símbolos do regime
Por toda a cidade, populares destruíram símbolos do regime FOTO: Alkis Konstantinidis/EPA

Aos olhos dos populares, o regime de Kadhafi, que a 1 de Setembro de 1969 derrubou a monarquia, também já caiu. As bandeiras da monarquia, com faixas a vermelho, preto e verde, adoptadas pelo CNT, voltam a dominar nas ruas e já não se vêem as bandeiras verdes dos apoiantes de Kadhafi. O homem que quis ser um Mao Tse-Tung ‘verde’ passa à História como ditador terrorista e sanguinário que ordenou a explosão de um avião da PanAm com 270 passageiros nos céus da Escócia e nunca teve dúvidas em matar compatriotas para manter o poder. Foi igual até ao fim, com milhares de mortos nos combates dos últimos seis meses de aberta guerra civil contra os rebeldes de Benghazi apoiados pela NATO.

Desde domingo Tripoli vive em estado de sítio entre festejos e combates, com um número desconhecido de vítimas. Por causa de acusações de barbaridades cometidas por rebeldes, o chefe do CNT, Mustafa Jalil, anunciou que se demitiria se fossem confirmadas. Ao fim do dia de ontem, a notícia era, porém, a promessa de organizar eleições dentro de oito meses, além de conter vinganças e chacinas.

FILHOS DE KADHAFI DADOS COMO PRESOS, EM FUGA OU ATÉ MORTOS

A descoberta, em Tripoli , de dois cadáveres, um dos quais seria de Khamis, filho de Kadhafi, e o outro do chefe dos serviços secretos, Abdallah Senoussi, foi noticiada sem confirmação pela Reuters, ontem ao fim da tarde. Ao mesmo tempo o canal Al Jazeera avançava que outro filho de Kadhafi, Mohammed, detido em casa quando dava uma entrevista àquela TV, conseguira escapar. Presos pelos rebeldes estariam os filhos Seif e Saadi Kadhafi.

"INSEGURANÇA É O PREÇO DA IMPREVISIBILIDADE"

Apesar da proximidade dos combates e da incerteza dos últimos dias, o único português em Tripoli não pensa em abandonar a Líbia.

"Os combates continuam e alastraram ao nosso bairro", contou ontem à Lusa o cidadão português, que pediu o anonimato por razões de segurança. Com ele vivem a mulher e duas filhas menores. Desde 2009 que a família está em Tripoli num bairro onde são os únicos estrangeiros e a proximidade com o quartel-general de Kadhafi obriga a viver em sobressalto.

"Havia uma ansiedade crescente em saber quando é que isto ia acontecer. A insegurança é fruto da imprevisibilidade das milícias e de voluntários sem preparação", disse à RTP. "Esta manhã [ontem] voltámos a ouvir aviões mas o ataque mais forte foi no sábado, com quatro ou cinco explosões", acrescentou.

Apesar de não sair de casa há dois dias, não pediram ajuda para sair. "Estamos em contacto com ele mas a decisão de ficar parece manter-se", garantiu ao CM fonte do gabinete do ministro português dos Negócios Estrangeiros. Recorde-se que, em Fevereiro, muitas empresas lusas optaram por retirar os seus trabalhadores do país.

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