Mala Tribich, 95 anos, discursou durante cinco minutos. Além do seu testemunho, pediu ao governo britânico para combater o antissemitismo.
Mala Tribich, de 95 anos, sobrevivente do Holocausto, fez esta terça-feira um discurso carregado de emoção em Downing Street, Londres, perante o primeiro-ministro Keir Starmer e elementos do seu governo. De acordo com a Sky News, alguns políticos emocionaram-se e deixaram cair umas lágrimas.
Esta iniciativa inseriu-se na data em que se assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Exigindo que o governo britânico fizesse tudo o que está ao seu alcance para combater o "antissemitismo", após ter ficado "profundamente abalada" pelos recentes ataques terroristas em Manchester e Sydney, Mala Tribich deixou o seu testemunho.
Tribich foi enviada para o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, com a prima mais nova, quando tinha 14 anos, onde permaneceu durante três meses.
"Estou aqui diante de vocês como uma das últimas testemunhas oculares de um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Estou aqui como representante da comunidade britânica de sobreviventes do Holocausto. Durante décadas, temos falado com pessoas de todo o país, partilhando as nossas dolorosas lembranças", referiu.
"Em breve, não haverá mais testemunhas oculares. É por isso que lhes peço hoje não apenas que ouçam, mas que se tornem minhas testemunhas", acrescentou, durante um discurso de cinco minutos.
Mala Tribich, que recebeu a Ordem do Império Britânico em 2012 pelos serviços prestados à educação, deixou depois um pedido ao governo do Reino Unido.
"Nós, sobreviventes do Holocausto, jamais imaginámos que iríamos presenciar o antissemitismo ao nível em que se encontra hoje. O que vimos em Manchester e Sydney abalou-nos profundamente. Como é possível que, 81 anos após o Holocausto, pessoas sejam novamente alvos dessa forma? Recordar o passado já não basta. Dirijo-me a vocês, líderes deste país que orgulhosamente chamo de casa, e imploro que façam o que precisa de ser feito", disse.
O primeiro-ministro Keir Starmer lembrou que foi a primeira vez que uma sobrevivente do Holocausto discursava em Downing Street.
"Todos nós, inclusivamente eu, sentimo-nos honrados pela sua coragem e inspirados pela sua história. É nosso dever não apenas ouvir, mas também agir e lidar de forma rigorosa com qualquer pessoa que tente negar ou distorcer o que aconteceu no Holocausto", referiu o governante.
Mala Tribich perdeu a mãe e a irmã de oito anos, assassinadas pelas forças nazis.
Dezenas de milhares de pessoas, incluindo Anne Frank, morreram no campo nazi situado no norte da Alemanha.
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