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Correio da Manhã

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Sobrinha de Dhlakama favorita na sucessão

Ivone Soares, de 38 anos, é líder parlamentar do partido na Assembleia, em Maputo.
Débora Carvalho 5 de Maio de 2018 às 01:30
Ivone Soares representa a Renamo na Assembleia da República
Cerimónias fúnebres de Afonso Dhlakama agendadas para quarta-feira
Afonso Dlakhama
Afonso Dlakhama
Ivone Soares representa a Renamo na Assembleia da República
Cerimónias fúnebres de Afonso Dhlakama agendadas para quarta-feira
Afonso Dlakhama
Afonso Dlakhama
Ivone Soares representa a Renamo na Assembleia da República
Cerimónias fúnebres de Afonso Dhlakama agendadas para quarta-feira
Afonso Dlakhama
Afonso Dlakhama
A morte do antigo guerrilheiro moçambicano Afonso Dhlakama, líder da Renamo há perto de 40 anos, coloca um sério desafio à sua sucessão. Aos 38 anos, Ivone Soares, sobrinha de Dhlakama e líder da bancada parlamentar da Renamo na Assembleia de Maputo, é a principal candidata ao lugar. Mas há outra hipótese a ter em conta: Manuel Bissopo, secretário-geral do partido. Que se saiba, Dhlakama não tinha sucessor indicado.

Este será um processo quase inédito na história da Renamo, uma vez que, para além de Dhlakama, o partido só teve outro líder: André Matsangaíssa chefiou a Renamo entre 1975 e 1979. Foi sucedido por Dhlakama, então com 26 anos.

As eleições presidenciais, a pouco mais de um ano, são o próximo desafio. Nas cinco eleições realizadas desde o Acordo Geral de Paz, assinado em 1992, o líder histórico foi candidato e grande responsável pela estratégia do partido.

Dhlakama tinha 65 anos e estava escondido nas matas da Gorongosa, no centro do país, onde se refugiou desde que se iniciaram os conflitos político-militares, em 2012. Morreu quando aguardava pelo helicóptero que o levaria a Pretória, na África do Sul, onde se iria submeter a tratamento de urgência. No final de abril, Ivone Soares revelou que decorriam negociações para que pudesse abandonar, em segurança, o local onde se encontrava escondido e retomar a vida política.

A Frelimo, partido no poder, considerou que o líder da Renamo "era um parceiro estratégico" e "estava a percorrer um caminho para a paz". O porta- -voz do partido diz-se convicto de que a Renamo não deixará as negociações em curso.

Marcelo Rebelo de Sousa também lamentou a morte de Dhlakama. O Chefe de Estado português destacou o líder da Renamo como "interlocutor privilegiado nos caminhos do diálogo e da paz".

SAIBA MAIS 
1992
A 4 de outubro, depois de uma longa guerra civil de 16 anos, Afonso Dhlakama assina o Acordo Geral de Paz com o então presidente do país, Joaquim Chissano, líder da Frelimo, em Roma, passando a Renamo a ser um partido político. O conflito causou 900 mil mortos.

Independência
A 25 de junho de 1975 foi proclamada a independência de Moçambique. A guerra da independência teve início a 25 de setembro de 1964, com a Frelimo a iniciar a luta armada contra o Estado Novo.
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