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Correio da Manhã

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Socialistas reuniram-se 25 vezes com o Batasuna

O Partido Socialista espanhol (PSOE) manteve 25 reuniões com o ilegalizado Batasuna antes do cessar-fogo e admitiu que existe “um conflito político” no País Basco, revelou na sua edição de ontem o diário ‘Gara’. Mariano Rajoy, líder do Partido Popular, reagiu com indignação a esta revelação e exigiu explicações ao primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero.
19 de Maio de 2007 às 00:00
O líder da oposição quer que zapatero explique como ao mesmo tempo discutiu o Pacto Antiterrorista com o PP
O líder da oposição quer que zapatero explique como ao mesmo tempo discutiu o Pacto Antiterrorista com o PP FOTO: Vincent West, Reuters
De acordo com aquele jornal, o ‘embrião’ do diálogo surgiu em finais de 1999 e as reuniões decorreram de forma ininterrupta desde 2001, tendo-se acelerado a partir de 2004. Antes do cessar-fogo da ETA, ambas as partes tinham trocado impressões e discutido propostas em 25 reuniões, o que equivale sensivelmente a uma periodicidade bimensal.
Ainda segundo a mesma fonte, no passado mês de Outubro, reuniram-se em Loiola representantes da esquerda ‘abertzale’ (Arnaldo Otegi, Rufi Etxebarria e Olatz Dañobeitia), do PSOE (Jesús Eguiguren e Rodolfo Ares) e do Partido Nacionalista Basco (PNV – Josu Jon Imaz e Iñigo Urkullu) para debater as três questões centrais do conflito: o reconhecimento de Euskal Herria, o direito de decidir e a territorialidade. Porém, o diálogo terminaria sem acordo e as divergências de então permanecem por resolver.
O ‘Gara’ recorda ainda que Pernando Barrena, um dos líderes do Batasuna, afirmou na passada terça-feira que a esquerda nacionalista mantém a sua aposta na busca de uma solução, apesar dos seis anos de falta de consenso.
“NÃO” AO ACORDO
O diário basco adianta que a decisão de manter a ilegalização do Batasuna foi recebida pela formação como um terceiro ‘não’ à sua proposta de um acordo político, que, segundo ela, resolveria definitivamente o conflito. A primeira rejeição, segundo o diário, foi manifestada durante as conversações com o PSOE e o PNV mantidas em Loiola e a segunda após a apresentação pública da proposta da ‘autonomia a quatro com direito de decidir’.
Face a estas revelações, Rajoy exige a Madrid que explique como pôde manter as tais 25 reuniões ao mesmo tempo que negociava o Pacto Antiterrorista com o PP, alegadamente para combater o terrorismo. “Tentámos até à saciedade chegar a acordo com o primeiro-ministro. Agora já sabemos por que não queriam um acordo com o PP.
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