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Correio da Manhã

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Soldados voltam com problemas mentais

Um em cada quatro militares norte-americanos que combateram no Iraque ou no Afeganistão sofre no regresso a casa de problemas mentais graves, revela um estudo médico ontem divulgado nos Estados Unidos. Os mais afectados são os soldados mais jovens, que são também aqueles que estão mais expostos à violência das frentes de batalha.
14 de Março de 2007 às 00:00
 O stresse pós-traumático é um dos principais problemas
O stresse pós-traumático é um dos principais problemas FOTO: Shehab Amed / Epa
De acordo com o estudo realizado por uma equipa do Centro Médico dos Antigos Combatentes junto de 103 788 veteranos regressados do Iraque e do Afeganistão entre Setembro de 2001 e Setembro de 2005, mais de 32 mil (31 por cento) destes militares apresentavam algum problema mental ou psicológico, e mais de metade destes (56 por cento) sofria de dois ou mais problemas em simultâneo.
O caso mais comum era o stress pós-traumático, que afectava 52 por cento dos militares a quem foram diagnosticados problemas mentais, seguido pela ansiedade e problemas de ajustamento (24 por cento), depressão (20 por cento) e abuso de estupefacientes (20 por cento).
Estes números dizem respeito apenas a soldados que recorreram aos serviços de saúde do Departamento dos Antigos Combatentes, e não podem ser extrapolados para o universo de todos os militares que combateram no Iraque e no Afeganistão, mas dão uma ideia aproximada das dimensões do problema. Comparativamente, a percentagem de veteranos da Guerra do Vietname afectados pelo stress pós-traumático foi ligeiramente superior, com 15,2 por cento.
Ainda segundo o estudo, o grupo mais afectado por problemas mentais foi o dos soldados mais jovens, entre os 18 e 24 anos, mas esta percentagem é compreensível se tivermos em conta que é precisamente este grupo que está mais exposto a acções de combate. “Os resultados mostram a necessidade de melhorar o diagnóstico precoce e o tratamento das doenças mentais, principalmente entre os militares mais jovens”, afirma o estudo, cujos autores não encontraram, por outro lado, diferenças significativas entre a forma como são afectados homens e mulheres, diferentes grupos étnicos ou militares do serviço activo ou da Guarda Nacional.
MAIORIA QUER RETIRADA
Mais de metade dos norte-americanos exige a saída imediata ou no prazo máximo de um ano das tropas dos EUA no Iraque, revela uma nova sondagem divulgada pela CNN. Segundo esta sondagem, 21% dos inquiridos defende a saída imediata das tropas, enquanto 37% considera que deviam sair no próximo ano. Já 39% é da opinião de que apenas devem sair quando tiverem terminado a sua missão. Entretanto, no Iraque, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki efectuou ontem uma visita-surpresa à cidade de Ramadi, bastião da guerrilha sunita a norte de Bagdad, por entre fortes medidas de segurança.
SOLTAS
FERIDOS MALTRATADOS
O jornal ‘Washington Post’ denunciou no mês passado as más condições de higiene e atendimento no Centro Médico Walter Reed, o principal hospital militar dos EUA, onde soldados em convalescença eram obrigados a conviver com ratos e baratas. Três membros da direcção do hospital, incluindo o director de Saúde das Forças Armadas, general Kevin Kiley, demitiram-se na sequência do escândalo.
PAGAR TRATAMENTOS
Também no Reino Unido a forma como os veteranos de guerra são tratados está a causar indignação, depois de a imprensa denunciar que soldados feridos são obrigados a pagar os tratamentos do próprio bolso ou então enfrentarem uma longa espera no sistema de saúde pública.
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