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Correio da Manhã

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"Somos todas Israa": A história da jovem morta às mãos da família

Morreu semanas depois de partilhar no Instagram imagens de um encontro com um namorado que não assumiu perante os familiares.
Iuri Martins e Pedro Almeida 11 de Setembro de 2019 às 11:59
'Somos todas Israa': A história da jovem morta na Palestina às mãos da família
'Somos todas Israa': A história da jovem morta na Palestina às mãos da família
'Somos todas Israa': A história da jovem morta na Palestina às mãos da família
'Somos todas Israa': A história da jovem morta na Palestina às mãos da família
'Somos todas Israa': A história da jovem morta na Palestina às mãos da família
'Somos todas Israa': A história da jovem morta na Palestina às mãos da família

Tinha 21 anos e era esteticista. Israa Ghrayeb estudava inglês e utilizava o Instagram para divulgar o seu estilo de vida diário, tal como milhões de jovens em todo o mundo. A jovem, que tinha começado um relacionamento com um rapaz em Beit Sahour, cidade perto de Belém, na Palestina, foi encontrada morta poucas semanas depois do primeiro encontro amoroso.

O mistério em torno da morte de Israa despertou uma onda de solidariedade e de ativismo feminista na Palestina como nunca antes visto. A morte, que continua por esclarecer, está a ser vista como um ‘crime de honra’.

Israa tinha divulgado no Instagram imagens do primeiro encontro com o companheiro e, aparentemente, contava com o consentimento dos pais. No entanto, vários familiares de Israa opuseram-se à publicação e consideraram-na uma mancha no nome e honra da família. Tudo porque a jovem se mostrava com o companheiro antes de ter formalizado a relação.

A jovem da Palestina morreu em casa, a 22 de agosto, as primeiras informações apontavam para um ataque cardíaco.

Mas, semanas antes, tinha sido internada, alegadamente por ter sofrido uma queda acidental. Quando chegou ao hospital apresentava lesões na coluna vertebral.

Pouco tempo depois surgiu o rumor de que terá caído ao fugir dos irmãos. Israa não chegou a ser operada, os médicos acreditaram que recuperaria por ser jovem.

Na internet foi difundida uma gravação onde se ouve um grito desesperado de uma jovem a pedir ajuda. Acredita-se que a voz seja de Israa e que terá sido gravada no momento em que era perseguida pelo irmão.

O movimento feminista na Palestina exigiu investigações à morte da jovem sob o mote "Somos todas Israa Ghrayeb!", que acabou por virar hashtag nas redes sociais.

Após os protestos, o primeiro-ministro da Palestina, Mohamed Stayyeh, afirmou que vários suspeitos foram detidos, ficando por esclarecer se são parentes de Israa e se realmente se tratou de um crime de honra.

A morte misteriosa da jovem Israa não é caso único. Outras 23 mulheres daquele país morreram em 2018 por suspeitas de crime de honra e atos de violência de género.
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