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STOIBER DÁ UM ANO A SCHROEDER

Depois de oficializada a vitória, por curta margem, do Partido Social Democrata (SPD) do chanceler alemão Gerhard Schroeder, e de confirmada a coligação com os Verdes, o líder da oposição conservadora, Edmund Stoiber, afirmou ontem que a coligação SPD/Verdes não iria durar mais de um ano.
23 de Setembro de 2002 às 23:43
“Na impossibilidade de não podermos formar governo, será o executivo liderado por Schroeder a governar, mas por muito pouco tempo. Daqui a um ano, serei eu a formar governo”, declarou Stoiber, que se proclamou vencedor “moral” das eleições.

Refira-se que o SPD, de Schroeder, e a coligação cristã-democrata CDU-CSU, liderada por Stoiber, obtiveram um empate técnico, (38,5 por cento dos votos), com os sociais-democratas a serem novamente o partido mais votado com uma diferença de 8864 votos.

Porém, as perdas do SPD foram compensadas pela subida dos Verdes, que conseguiram o seu melhor resultado de sempre, tendo conquistado 8,6 por cento dos votos graças ao actual ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Joschka Fischer, o grande triunfador destas eleições.

Já o Partido Democrata Livre (FDP), que teria sido o parceiro da aliança cristã em caso de vitória desta, subiu de 6,2 (1998) para 7,4 por cento dos votos, uma subida menos acentuada do que o previsto, enquanto os neocomunistas do Partido do Socialismo Democrático (PDS), herdeiros do Partido Comunista da ex-RDA, não conseguiram formar um grupo parlamentar pela primeira vez desde a reunificação alemã, em 1990.

Um dia depois da escassa vitória SPD/Verdes nas legislativas alemãs, que apenas elegeram mais 11 deputados do que a oposição democrata cristã e liberal, começaram ontem a ser conhecidas as primeiras mudanças no futuro gabinete, sendo certo que os Verdes passarão a ter mais peso no novo governo, devendo ficar com quatro pastas ministeriais, ou seja, mais uma do que no anterior executivo.

Apenas cinco dos 12 ministros do executivo do chanceler vão renovar o mandato no Bundestag, depois de terem vencido por maioria nas suas respectivas circunscrições. No entanto, só em Outubro é que deverá estar formada a nova equipa de Schroeder.

O novo governo tem agora em mãos a reforma da maior economia europeia, com o próprio chanceler a reconhecer o actual período de instabilidade, confirmado ontem pelas perdas registadas na bolsa alemã.

“Temos tempos difíceis pela frente”, afirmou Schroeder aos seus apoiantes, reconhecendo alguma fragilidade governamental que pode reflectir-se na reforma do país.

Reacções à vitória

As reacções à manutenção no poder da coligação liderada por Gerhard Schroeder foram positivas. As primeiras saudações surgiram de Copenhaga, onde estavam reunidos líderes da União Europeia, os quais fizeram questão de enviar mensagens separadas de felicitações. Foi o caso do presidente francês, Jacques Chirac, e do primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

As saudações mais calorosas vieram do chefe do governo sueco, o recém-reeleito Goeran Persson, para quem uma vitória de Schroeder marca uma inversão da tendência na Europa, com o centro-esquerda a voltar ao poder.
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