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Correio da Manhã

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Suicida trai retirada

Um atentado suicida fez na manhã de ontem pelo menos 10 feridos, dois deles com gravidade, junto a uma estação de autocarro da cidade israelita de Beersheba. Trata-se do primeiro ataque do género desde que, na semana passada, Israel terminou a evacuação dos 21 colonatos de Gaza e quatro na Cisjordânia e acontece um dia depois de ser divulgado um vídeo do líder militar do grupo radical Hamas fazendo o elogio da luta armada.
29 de Agosto de 2005 às 00:00
A única vítima mortal foi o suicida, cujo corpo ficou feito em pedaços pela violência da explosão
A única vítima mortal foi o suicida, cujo corpo ficou feito em pedaços pela violência da explosão FOTO: Nie Elias/Reuters
Um condutor de autocarro afirma ter notado uma pessoa com um saco pesado, o que o levou a alertar a polícia. Agentes dirigiram-se ao suspeito, mas quando estavam a alguns metros, o suicida fez-se explodir, ferindo seriamente dois guardas. O suicida foi identificado como sendo Ayman Zaaqiq, de 25 anos, que esteve detido durante cinco anos por militância na Jihad Islâmica.
O líder palestiniano, Mahmoud Abbas, condenou o atentado, mas lembrou o raide israelita de quinta--feira no qual foram mortos cinco palestinianos. Abbas pediu a todos o empenhamento na trégua, “apesar das provocações israelitas, nomeadamente o assassinato de cinco palestinianos em Tulkarem”.
Reagindo ao ataque, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, emitiu um comunicado considerando que, depois de terem sido dados “os passos necessários para melhorar as perspectivas de paz”, o atentado “é mais uma indicação de que a Autoridade Palestiniana tem de tomar as medidas adequadas para anular o terrorismo”.
Recorde-se que um vídeo de Mohammed Deif alertava Abbas para não combater a luta armada, considerando que só ela pode libertar os palestinianos.
EGIPTO CONTROLA FRONTEIRAS
O governo de Israel aprovou por larga maioria, horas depois do atentado, um protocolo militar cedendo ao Egipto o controlo da sua fronteira com a Faixa de Gaza. O documento, que foi negociado durante meses paralelamente à planificação da evacuação de Gaza, exige dos egípcios o controlo do contrabando de armas e explosivos para as facções radicais palestinianas.
FILHO DE SHARON ACUSADO
O Tribunal de Telavive acusou hoje o deputado Omri Sharon, um dos filhos do primeiro-ministro israelita, de uma série de violações da lei sobre o financiamento das campanhas eleitorais.
Omri Sharon fora anteriormente inculpado pelo conselheiro jurídico do governo, que é igualmente procurador público, Menahem Mazuz, por “falsos testemunhos” e envolvimento num negócio de financiamento ilegal de uma campanha eleitoral de seu pai.
A questão remonta a 1999, quando Omri terá violado a lei de financiamento das campanhas eleitorais gastando um milhão e meio de dólares, ou seja um milhão mais do que o previsto pela lei. Tal operação foi realizada por intermédio de uma sociedade fictícia baseada no estrangeiro para financiar o Likud nas eleições, o que permitiu a Ariel Sharon chegar à liderança do grande partido da direita israelita. Ariel Sharon e os seus dois filhos, Omri e Gilad, foram nestes últimos anos acusados de envolvimento em vários negócios de corrupção, nenhum deles provado.
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