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Correio da Manhã

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SUICIDAS MANIPULADAS

Na luta pela libertação da Tchetchénia há um tipo especial de combatentes. Trata-se de bombistas suicidas que já são conhecidas como as 'Viúvas de Alá'.
29 de Dezembro de 2003 às 00:00
Um dos atentados na Rússia levado a cabo por mulheres suicidas
Um dos atentados na Rússia levado a cabo por mulheres suicidas FOTO: Sergey Ponomarev
A sorte destas mulheres e a sua motivação foi estudada por uma jornalista russa que considera que muitas das 'kamikaze' são jovens manipuladas e drogadas para se sacrificarem por uma causa que não é a sua.
Lulia Luzik investigou o tema durante um ano e seguiu o rasto de 27 mulheres que morreram ao fazer explodir cintos de mártires ou foram abatidas pelas forças militares russas. A reportagem chama-se 'Noivas de Alá' e é um relato impressionante de crueldade e fanatismo.
"Só uma em cada dez mulheres 'kamikaze' é movida por um ideal, enquanto as outras nove são manipuladas e drogadas por um controlador escondido", afirmou Lulia, que entrevistou as famílias das jovens, os seus amigos e conhecidos e ainda elementos militares russos.
Um dos casos de manipulação flagrante é o de Khava Baraieva, prima do chefe de guerra tchetcheno Arbi Baraiev, por quem nutria um amor desmedido. Baraieva, de apenas 17 anos, foi a primeira terrorista suicida tchetchena e morreu quando lançou um camião carregado de explosivos contra um posto de controlo russo em Alkhan-Kala, em Junho de 2000.
DROGAS PARA 'FORTALECER'
De maneira a manter a sua determinação até ao último momento, Arbi forçou-a a tomar psicotrópicos, facto que é relato por uma testemunha. Fátima, vizinha de Baraiev, garante que "na aldeia toda a gente sabia que Arbi tinha a droga mais forte" e a usava sempre que era necessário.
A jornalista afirma ainda que as suicidas se dividem em dois grandes grupos. No primeiro estão as jovens e bonitas, recrutadas por mulheres mais velhas. São integradas numa 'família espiritual' e impedidas de voltar para as famílias. Num outro grupo estão as mulheres de 30 a 40 anos, geralmente sem filhos e que perderam familiares na guerra. São frequentemente recrutadas por islamitas radicais que casam com elas e as educam no ódio radical da causa separatista.
Nesta segunda categoria está Zarema Inarkaieva, a única 'kamikaze' que sobreviveu ao rebentamento dos explosivos que transportava. Foi raptada pelo noivo, Shamil, que em Fevereiro de 2002 a drogou e lhe entregou um saco com explosivos para colocar no comissariado tchetcheno pró-russo de Grozny. A sua sobrevivência foi um acidente que ficou a dever-se ao facto de ter tirado o saco do ombro no último momento.
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