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SULISTA FAVORITO PARA VICE DE KERRY

John Kerry não quer que os seus candidatos a vice-presidente se agarrem à televisão enquanto esperam ouvir o seu nome, não quer que preparem notas para o seu discurso na convenção democrata deste mês, não quer que conspirem com os jornalistas para saber se estão na lista dos candidatos e que, depois, decepcionados e irados, se façam à estrada se não forem eleitos. Não quer que sejam como ele.
4 de Julho de 2004 às 00:00
O senador do Massachussets optou pelo secretismo mais estrito para entrevistar e decidir quem será o seu parceiro eleitoral. O candidato deverá ser conhecido, provavevelmente no início da semana. Nos últimos dias, as sondagens, os congressistas democratas, os ‘blog’ na Internet e inclusivamente Ralph Nader apontam o senador sulista que Kerry derrotou nas primárias. O sorridente John Edwards contribuiria com o seu físico atraente e com o calor do Sul.
“Vou permanecer em silêncio sobre este tema”, afirmou Edwards no Iowa, onde ficou em segundo lugar na convenção de Janeiro. “Kerry deixou claro que quer manter o processo confidencial e privado, e creio que é justo”.
Outros dois ex-rivais de Kerry estão na lista: Dick Gephart, congressista do Missouri e co-autor da lei do Congresso para invadir o Iraque, e o senador da Florida, Bob Graham, que se retirou no início da carreira e é um dos poucos democratas que votou contra a guerra.
A entrevista exaustiva inclui perguntas sobre o património, as empresas, as relações familiares e até a vida sexual do candidato. Os encontros duram até duas horas, em busca do perfil mais perfeito.
A frieza de Kerry e o rótulo de “esquerdista milionário da Costa Leste” ficariam esbatidas pelo amigável Edwards, com a sua história de triunfo profissional, iniciada no seio de uma família de operários de uma pequena cidade da Carolina do Norte, que nem sequer figura no mapa. O único impedimento é a relação distante entre os dois, dizem os seus conselheiros.
Segundo as últimas sondagens, Edwards é o favorito de 36% dos votantes em geral e de 43% dos democratas. Mas a presença de Edwards não parece alterar o resultado de Kerry, que tanto só como acompanhado, está num empate técnico com Bush. A nomeação do ‘vice’ poderá dar mais publicidade à campanha do democrata que, apesar da baixa popularidade de Bush, não consegue garantir a liderança.
As sondagens coincidem em mostrar que Bush e a ‘sua’ guerra no Iraque (mais de metade dos norte-americanos considera que foi um erro) estão em queda mas Kerry não sobe.
O senador debate com a mulher, Teresa Heinz, o irmão e outros assessores, o nome que pode empurrá-lo até ao topo. Espera que os derrotados o continuem a ajudar. Que controlem a sua ira melhor que ele, após conhecer a notícia, em 2000, de que Joe Lieberman ia ser candidato a vice-presidente. Kerry explicava então como reagiu: “A primeira coisa que fiz foi saltar para o meu todo-o-terreno e dar um enorme passeio sobre os meus pneus Firestone”.
LEGISLADORES QUEREM ONU NAS ELEIÇÕES
A polémica que rodeou o escrutínio das presidenciais de há quatro anos nos Estados Unidos parece ter-se já reacendido, a escassos três meses das eleições presidenciais. Um comité de congressistas norte-americanos enviou uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, apelando ao envio de observadores da ONU às eleições presidenciais de Novembro. Na missiva, os representantes recordam o que aconteceu no último sufrágio, em 2000, quando se registaram alegadas irregularidades sobretudo na contagem dos votos do estado da Florida.
Num comunicado do gabinete da congressista democrata Eddie Johnson, que deu início ao movimento, refere-se que foi enviada uma carta à ONU pedindo que “assegure eleições livres e justas nos Estados Unidos”.
“Enquanto legisladores, devemos assegurar ao povo dos EUA que a nossa nação não vai passar pelo pesadelo das presidenciais de 2000”, refere Johnson ao secretário geral Kofi Annan, solicitando-lhe que envie “observadores eleitorais para todo o território norte-americano”, na votação de Novembro, considerando que tal representará o “primeiro passo para garantir que a história não se repete”.
Na carta, os referidos congressistas recordam um relatório da Comissão dos Direitos Civis norte-americana, de Junho de 2001, que “concluiu que o processo eleitoral na Florida culminou na negação do direito ao voto de inúmeras pessoas”, e que “apesar da promessa de reformas (no sistema eleitoral), não foram tomados passos adequados para assegurar que uma situação semelhante não vá acontecer em 2004”.
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