Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
1

Sunitas bloqueiam processo político

O projecto de Constituição do Iraque foi ontem lido no Parlamento mas a sessão encerrou sem uma votação do documento. Tudo porque os sunitas, minoritários no país e na Assembleia, se opõem ao texto, que prometem chumbar num referendo a realizar em Outubro.
29 de Agosto de 2005 às 00:00
O Parlamento optou por não levar o projecto a votos de forma e evitar o confronto com a oposição sunita
O Parlamento optou por não levar o projecto a votos de forma e evitar o confronto com a oposição sunita FOTO: Mohamed Messara/Reuters
Os 15 representantes sunitas no painel constitucional de 71 elementos recusaram assinar o projecto, apesar das 14 emendas de última hora introduzidas com o acordo de xiitas e curdos. Os sunitas afirmam que as correcções foram marginais e não mexeram nas questões cruciais, como o federalismo, a identidade do país ou a marginalização dos membros do partido do antigo ditador, Saddam Hussein.
O federalismo merece um particular desagrado dos sunitas, que temem uma desagregação do país logo que seja criada uma região autónoma xiita no Sul do país e aumentada a autonomia curda no Norte. Aos sunitas fica reservada a faixa central do Iraque, onde são maioritários mas onde não há petróleo.
Apesar de o documento não ter sido aprovado no Parlamento, pode seguir para referendo, pois a votação não é vinculativa. O desejo de uma aprovação parlamentar prendia-se com o desejo de mostrar unidade nacional.
O presidente iraquiano, o curdo Jalal Talabani, realizou um banquete para celebrar a assinatura do projecto e referiu que “cabe agora ao povo aprová-lo ou rejeitá-lo”. Consciente das ameaças sunitas de chumbo no referendo, Talabani ressalvou a possibilidade de um retrocesso. “Espero que o povo aceite a Constituição, apesar das suas falhas, mas se não a aprovar, fazemos outra”, afirmou.
Os sunitas estão, entretanto, a reunir apoios para bloquear o projecto, tendo apelado, nomeadamente, à ONU e à Liga Árabe. Saleh al-Mutlaq, um dos principais negociadores sunitas, afirmou que os opositores vão reunir para decidir novas acções.
No sábado, os sunitas apresentaram uma contraproposta na qual se reconhecia a autonomia curda mas não a sunita, se promovia o Islão a principal fonte da lei e se estabelecia o árabe como língua oficial do Estado.
NOTAS
AL-ASSAD
O presidente sírio Bashir al-Assad condenou ontem os actos de terrorismo no Iraque, mas lembrou que há no país um movimento de resistência que é completamente alheio a isso. Mas Bashir lançou ‘farpas’ aos EUA, considerando que “a guerra é responsável pelo caos”.
DETENÇÕES
Os EUA afirmam ter detido dois membros da al-Qaeda no Iraque, um dos quais era um líder destacado da organização. Trata-se de Abu Jabbar, que presumivelmente organizava “o transporte e a distribuição de armas”, e Abu Omar, ligado ao fabrico de explosivos.
VIOLÊNCIA
A cidade de Bagdad foi ontem palco de vários atentados, que vitimaram pelo menos dois polícias e feriram quatro outras pessoas. Um dos feridos é um guarda-costas do ministro da Agricultura, cuja viatura foi atacada por rebeldes no bairro de al-Baya.
BUSH ELOGIA CONSTITUIÇÃO
O presidente Bush congratulou-se com a finalização da Constituição iraquiana, descrevendo-a como “inspiração” para os defensores da democracia. Sobre o desacordo sunita frisou que é um direito “de cidadãos livres”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)