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Supremo ameaça Lava Jato e liberta quatro arguidos numa semana

José Dirceu, Eike Batista, José Carlos Bumlai e João Carlos Genu foram libertados.

03 de maio de 2017 às 17:20

No maior revés da operação anti-corrupção Lava Jato, comandada até agora com pulso de ferro pelo juiz Sérgio Moro, de Curitiba, o Supremo Tribunal Federal, STF, brasileiro decretou em menos de uma semana a libertação de quatro arguidos de destaque que o magistrado tinha mandado prender. O último, beneficiado com o direito à liberdade esta terça-feira, foi o ex-ministro-chefe de Lula da Silva, José Dirceu, um dos maiores ícones da corrupção no Brasil. A decisão do STF provocou enorme repercussão negativa nesta quarta-feira.

Dirceu, que já foi condenado a mais de 32 anos de cadeia por corrupção apenas no âmbito da Lava Jato e ainda enfrenta outros processos, teve a liberdade concedida no final de terça-feira pela II Turma do STF, por 3 a 2, com os votos favoráveis dos juízes Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, e os votos contrários dos juízes Edson Fachim, relator da Lava Jato no supremo, e Celso de Melo. José Dirceu, preso em Curitiba há dois anos, pode sair ainda esta quarta-feira da prisão, frustando todos os que se têm empenhado na luta contra a corrupção nas altas esferas do poder no Brasil e revoltando a opinião pública.

Tão poderoso na altura que chegou a ser chamado de "czar" pela imprensa, José Dirceu deixou o governo de Lula da Silva em 2005, acusado de comandar o esquema de corrupção conhecido como "Mensalão", e acabou condenado a 11 anos de prisão. Em 2015, quando já tinha recebido o benefício de cumprir o resto da pena em casa, Dirceu foi preso novamente e enviado para uma prisão em Curitiba, acusado desta feita de, mesmo preso, continuar a cometer crimes e a receber milhões desviados de empresas públicas, agora no esquema de corrupção Lava Jato e, por isso, recebeu de Sérgio Moro duas condenações, totalizando mais de 32 anos.

Antes de Dirceu, na semana passada, o STF já tinha concedido a liberdade a outros três arguidos na Lava Jato, todos presos também por ordem de Moro. Foram libertados também por decisão da II Turma José Carlos Bumlai, amigo de Lula da Silva há décadas e usado pelo ex-presidente como "testa de ferro" em negócios ilegais, e João Carlos Genu, ex-tesoureiro do Partido Progressista, e, finalmente, por decisão pessoal de Gilmar Mendes, foi libertado igualmente o multimilionário Eike Batista.

Defendendo abertamente a libertação de presos que ainda têm direito a recorrer das sentenças, Gilmar Mendes encabeça o movimento que pode simplesmente acabar com a Lava Jato que o magistrado, crítico feroz de Moro, considera que já foi longe de mais. E os primeiros efeitos dessas libertações já se fizeram sentir negativamente na Lava Jato pois presos que negociavam com Sérgio Moro passaram a colaborar com a justiça em troca de redução de pena, com a libertação dos quatro arguidos e a perspetiva de que eles próprios possam ser beneficiados com medidas semelhantes, já orientaram os seus advogados para suspenderem as negociações com o temido magistrado e poderão já não contar o muito que sabem.

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