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Supremo manda prender "arrependidos" que omitiram informações à Lava Jato

Em causa está a prisão do empresário Joesley Batista, dono da JBS, e do executivo Ricardo Saud, director de relações institucionais da J&F.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Setembro de 2017 às 15:50
Joesley Batista
Joesley Batista FOTO: Reuters

O juíz do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro Luiz Edson Fachim decretou a prisão do empresário Joesley Batista, dono da JBS, líder mundial na producção de proteína animal, e do executivo Ricardo Saud, director de relações institucionais da J&F, holding que controla a JBS, dois "arrependidos" que fizeram acordo de colaboração com a justiça no âmbito da operação anti-corrupção Lava Jato. Foram os depoimentos colaborativos deles que colocaram o presidente brasileiro, Michel Temer, no centro do furacão das denúncias de corrupção que quase o derrubaram em Agosto.

As prisões de ambos foram pedidas sexta-feira pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que acusa os dois executivos de terem omitido crimes praticados por eles e por terceiros quando fizeram os seus depoimentos colaborativos, pelos quais ganharam imunidade total. Outro pedido de prisão, contra o ex-procurador-adjunto Marcelo Miller, que chegou a ser um dos colaboradores mais próximos de Janot mas agora é acusado de fazer jogo duplo para beneficiar a JBS, foi rejeitado por Fachim.

Joesley Batista e Ricardo Saud tinham feito um acordo considerado excessivamente generoso para eles, pelo qual não poderiam ser presos nem processados por causa dos crimes de corrupção que confessaram, como recompensa pelas informações que permitiram chegar a outros suspeitos, principalmente o presidente Michel Temer, acusado pelo PGR de corrupção, obstrucção à justiça e formação de organização criminosa. Mas uma gravação de quatro horas entregue à Procuradoria-Geral pelo próprio Joesley Batista na semana passada aparentemente por engano, mostra o mega-empresário e Saud a combinarem estratégias para se aproximarem e pressionarem Janot em seu favor, e até a combinarem usar o ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardoso, para obterem informações comprometedoras sobre juízes do STF com o intuito de conseguirem a dissolução daquele tribunal

As revelações feitas em Maio por Joesley, o irmão dele, Wesley, e por Ricardo Saud, estiveram na origem da denúncia por corrupção apresentada em Junho por Rodrigo Janot contra Temer, que o parlamento travou depois de o presidente conceder milhares de milhões de euros em verbas para obras e projectos de deputados. E devem ser igualmente a base da esperada segunda denúncia contra Temer, desta feita por obstrucção de justiça e formação de organização criminosa, que deve ser apresentada ainda esta semana por Janot, já que ele deixa o cargo no próximo dia 17.

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