Governo de Sánchez descarta responsabilidades e polícia diz que usou chapéu de palha para se esconder no meio da multidão.
O Supremo Tribunal de Espanha exigiu na sexta-feira explicação ao Governo socialista e à polícia catalã sobre o fracasso do dispositivo montado para deter o líder independentista Carles Puigdemont durante o seu fugaz regresso a Espanha.
O juiz Pablo Larena, que lidera o processo judicial contra o movimento independentista, enviou dois requerimentos urgentes ao Ministério do Interior e à direção dos Mossos d’Esquadra (polícia catalã) para pedir informações “sobre o dispositivo policial aprovado e montado para a detenção de Puigdemont”, bem como os “elementos que determinaram o seu fracasso do ponto de vista técnico-policial”. O magistrado exige ainda saber quem foram “os responsáveis pelo planeamento do dispositivo e pela sua aprovação e execução”. Ao Ministério do Interior, o juiz questionou ainda “quais as ordens que foram dadas para a sua detenção na fronteira e após a fuga”.
O governo de Pedro Sánchez descartou qualquer responsabilidade na fuga de Puigdemont, que é procurado pela Justiça espanhola desde 2017, afirmando que toda a operação estava a cargo dos Mossos d’Esquadra. Já este corpo policial, que mobilizou mais de 600 agentes para tentar deter Puigdemont, diz que considerou que seria “mais oportuno” efetuar a detenção após o discurso, quando o líder independentista se dirigisse ao Parlamento, mas ele conseguiu iludir a vigilância “ao colocar um chapéu de palha” idêntico ao de muitos manifestantes, e conseguiu escapar de carro sem que os agentes conseguissem detê-lo.
O secretário-geral do Junts, Jordi Turull, revelou na sexta-feira que Puigdemont chegou a Barcelona na terça-feira e passou duas noites na cidade antes de aparecer em público na quinta-feira de manhã. “Eu mesmo o acompanhei depois até à fronteira francesa”, avançou. O advogado do líder independentista, Gonzalo Boye, confirmou que Puigdemont já regressou à sua residência em Waterloo, na Bélgica.
O PP exigiu na sexta-feira a “demissão fulminante” dos ministros do Interior e da Defesa e pediu para ouvir o PM Sánchez no Parlamento.
Puigdemont pretendia ir ao Parlamento catalão após o discurso, mas mudou de ideias devido à forte presença policial, disse o advogado.
O Junts anunciou que vai “reavaliar” o apoio parlamentar ao governo de Sánchez. “Temos de ver se ainda faz sentido”, refere.
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