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Surto de coronavírus ameaça quebrar segunda maior economia do mundo

Analistas estão a prever abrandamento da economia chinesa no primeiro trimestre do ano.
Lusa 28 de Janeiro de 2020 às 09:01
Coronavírus
Coronavírus FOTO: Getty Images
Analistas estão a prever um abrandamento da economia chinesa no primeiro trimestre do ano, devido ao surto de um novo coronavírus, que está a paralisar o país, e alertaram para o impacto a nível mundial.

O vírus, detetado inicialmente na cidade de Wuhan, centro da China, e que já causou 106 mortos, está a afetar o consumo doméstico, turismo e setor manufatureiro, à medida que cidades inteiras foram postas numa quarentena de facto e as férias do Ano Novo Chinês prolongadas.

"O impacto económico para a China - e potencialmente para outros países - vai ser significativo se o vírus se continuar a propagar", afirmou num relatório a Economist Intelligence Unit (EIU), unidade de análise da revista britânica 'The Economist'.

O vírus pode quebrar o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China este ano, entre 0,5% e 1%, face a uma previsão original de 5,9%, caso a epidemia atinja o nível da pneumonia atípica, que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong, considerou a EIU.

Caso este cenário se verifique, o aumento de gastos com assistência médica implicará ainda cortes no investimento em infraestruturas e outras medidas de estímulo económico, lê-se na mesma nota.

O vírus levou as autoridades a cancelar eventos em toda a China, durante a semana de férias do Ano Novo Lunar. Restaurantes e espaços comerciais, cujo negócio atinge o ponto mais alto durante esta altura, foram encerrados em vários locais.

Xangai, a "capital" financeira da China, ordenou as empresas a não reabrirem até ao dia 10 de fevereiro, enquanto Suzhou, um importante centro da indústria manufatureira, no leste do país, adiou o retorno ao trabalho de milhões de trabalhadores migrantes por uma semana.

O impacto no setor das viagens já é evidente, com o transporte ferroviário a registar uma queda de 42%, face ao período do Ano Novo Lunar em 2019. A mesma queda homóloga foi registada no setor da aviação, segundo o ministério chinês dos Transportes.

O surto surge depois de, em 2019, a economia chinesa, a segunda maior do mundo, ter crescido 6,1%, o ritmo mais baixo em várias décadas, refletindo um aumento débil do consumo interno e uma prolongada guerra comercial com Washington.

"O coronavírus torna ainda mais provável uma acentuada desaceleração da economia e, se a doença não for controlada rapidamente, a queda poderá ser muito alta", advertiu num relatório Julian Evans-Pritchard, analista para a China da consultora Capital Economics.

Em 2003, o surto da pneumonia atípica reduziu em dois pontos percentuais o crescimento trimestral da economia chinesa, de 11,1%, no primeiro trimestre, para 9,1%, no segundo.

Com mais de 11 milhões de habitantes, Wuhan é também um importante centro doméstico e internacional de transportes, e um motor de crescimento da economia nacional, pelo que a decisão de isolar a cidade deverá ter impacto para toda a China.

O PIB de Wuhan cresceu 7,8%, em 2019, acima da média nacional, segundo dados oficiais.

O surto do novo coronavírus na China deverá ter efeitos a nível mundial também, sobretudo para os setores luxo, automóvel ou aviação aérea, face ao peso do mercado chinês.

Os clientes chineses representam mais de um terço do valor das compras de produtos de luxo a nível mundial, expondo as principais marcas do setor a uma queda na procura chinesa, destacou a Bain & Co consultants.

As ações das principais companhias aéreas registaram fortes quedas nos últimos dias, face ao risco de uma rápida disseminação do coronavírus e quebra no número de turistas chineses a viajarem além-fronteiras - a China é o maior emissor mundial de turistas.

Wuhan é também um importante centro de produção de componentes e montagem automóvel para os fabricantes Nissan, PSA, Honda, General Motors ou Renault, pelo que o isolamento da cidade ameaça interromper as cadeias de produção.

As fabricantes internacionais começaram já a retirar funcionários estrangeiros das suas fábricas na China. O país asiático é ainda o maior mercado automóvel do mundo, pelo que uma quebra no consumo poderá afetar as principais marcas do setor.

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