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Correio da Manhã

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Suspeitas provocam baixa na ONU

O canadiano Maurice Strong suspendeu funções como enviado especial da ONU para a Coreia devido a investigações sobre as suas ligações a um influente empresário coreano suspeito de subornar funcionários da organização mundial com dinheiro do antigo regime iraquiano de Saddam Hussein.
21 de Abril de 2005 às 09:05
Maurice Strong, empresário canadiano com uma impressionante rede global de contactos, tem prestado serviços às Nações Unidas desde 1947 e era, actualmente, assessor em 'part-time' do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para as conversações multilaterais destinadas a convencer o regime da Coreia do Norte a abandonar o seu alegado programa de armas nucleares.
Mark Malloch Brown, prota-voz de Kofi Annan, anunciou ontem à noite que Maurice Strong suspendeu as suas funções com a aprovação do próprio secretário-geral. O porta-voz comentou que essa foi a atitude correcta, dada a controvérsia em curso. Mas alguns diplomatas contrapõem que Strong só suspendeu funções depois de ter sido pressionado por altos funcionários da ONU.
Ao anunciar a decisão de Strong, o porta-voz do secretário-geral da ONU revelou também que Kofi Annan está a ponderar a implementação de uma nova regra que obrigue os funcionários em 'part-time', como Strong, a revelar as suas declarações de rendimentos, por forma a evitar conflitos de interesses. Actualmente, apenas os funcionários da ONU a tempo inteiro são obrigados a fazê-lo.
Strong, 76 anos de idade, admitiu esta semana ter tido negócios em 1997 com o empresário sul-coreano (de origem norte-coreana) Tongsun Park, um conhecido agente de pressão política, um 'professional' nos jogos de influência ('lobby').
Park foi formalmente acusado em Washington, na semana passada, por ser um agente encoberto ao serviço do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein. O processo de acusação alega que o empresário coreano canalizou milhões de dólares do Iraque para pagar favores no Ocidente.
Um informador disse às autoridades norte-americanas que Park subornou dois altos funcionários da ONU, uum em 1993 e o outro em 1997, ou 1998. O objectivo era tentar o levantamento das sanções contra o Iraque, ou contornar as restricções do Programa de Troca de Petróleo por Comida, a excepção humanitária autorizada pela ONU.
A gestão desse programa está a ser investigada por procuradores norte-americanos e pelo antigo presidente da Reserva Federal dos EUA Paul Volcker. As investigações já levantaram algumas suspeitas envolvendo o filho do ex-secretário-geral da ONU.
Maurice Strong negou qualquer envolvimento no Programa de Troca de Petróleo por Comida iraquiano. Mas o canadiano estava ao serviço da ONU nos anos a que a acusação a Park se refere relativamente a alegados subornos pagos. E, além disso, o mesmo processo de acusação refere que o empresário coreano investiu um milhão de dólares numa empresa canadiana estabelecida pelo filho do segundo alto funcionário da ONU alegadamente subornado.
Park confirma o investimento, alegando que perdeu o dinheiro porque a empresa faliu. Frederik Strong, filho de Maurice Strong, é empresário no Canadá e já trabalhou no sector energético. As suspeitas são densas, mas não há provas concretas, até porque a acusação de Park não revela os nomes dos dois funcionários da ONU alegadamente subornados por Park. A ONU já solicitou essa informação ao Departamento de Estado (Ministério dos Negócios Estrangeiros) da ONU.
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