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Correio da Manhã

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Talibãs ‘caçam’ opositores e famílias com visitas porta-a-porta no Afeganistão, alerta ONU

Multiplicam-se imagens de violência contra quem levanta a bandeira nacional do país.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 20 de Agosto de 2021 às 08:19
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Talibãs ‘caçam’ opositores e famílias com visitas porta-a-porta no Afeganistão, alerta ONU

Os talibãs estão a fazer buscas casa-a-casa no Afeganistão, numa verdadeira caça aos opositores do grupo e respetivos familiares. A informação faz parte de um relatório da ONU sobre a crise no país e vem por a nu os receios de que os apelos de "tolerância" feitos pela comunidade nacional e internacional têm sido ignorados.

Segundo o relatório, consultado pela France Press, os talibãs tem andado a fazer visitas "porta-a-porta" às casas de pessoas que trabalharam com as forças norte-americanas e com a NATO. O objetivo será persegui-las, assim como às respetivas famílias, segundo o Centro Norueguês de Análises Globais, que assina o relatório e adianta ainda que, no aeroporto, as pessoas estão a ser investigadas e a ser sujeitas a controlo.

"Estão á procura das famílias daqueles que não se entregam, perseguindo, castigando e acusando as famílias de acordo com a lei Sharia", diz o diretor executivo do grupo, Christian Nellemann à AFP.

"A expetativa é que indivíduos que tenham trabalhado com a NATO ou com as forças norte-americanas, e os seus aliados e membros familiares, sejam expostos, torturados e executados", assegura o responsável.

Segundo a Casa Branca, os EUA conseguiram retirar um total de 3 mil pessoas do aeroporto de Cabul na quinta-feira, em 16 voos de C-17. Do total de resgatados, 350 eram cidadãos norte-americanos.

Ao mesmo tempo, continuam a multiplicar-se nas redes sociais a partilha de imagens e relatos de violência dos talibãs contra quem, nas celebrações do Dia da Independência do Afeganistão, levantava a bandeira nacional tricolor, em vez da bandeira talibã. Há relatos de dezenas de mortos durante as celebrações em Asadabad, num tiroteio seguido de debandada.

Segundo a alemã Deutsche Well, os talibãs perseguiram um jornalista correspondente da DW, tendo assassinado um familiar do profissional. O jornalista em causa trabalha na Alemanha, garantiu DW, adiantando que outros familiares do repórter ficaram feridos mas conseguiram fugir.

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