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Correio da Manhã

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Talvez fiquem a saber quando já tiver acontecido

A inevitável pergunta surgiu logo no princípio da conferência de imprensa convocada pelo presidente francês no Eliseu : “Vai casar-se com Carla Bruni?” “Provavelmente quando souberem já terá acontecido” respondeu sem rodeios Nicolas Sarkozy.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
No passado domingo o ‘Journal du Dimanche’ afiançava que a boda entre o presidente francês e a ex-modelo e cantora italiana estava marcada para 9 de Fevereiro, mas na conferência de imprensa, em que estavam 600 jornalistas de 40 países, Sarkozy recusou-se a adiantar o dia da boda. “É sério, mas não será o ‘Journal du Dimanche’ a fixar a data”, ironizou.
O presidente francês falou abertamente da sua relação com Carla Bruni e defendeu a transparência da sua vida privada por oposição a antecessores seus, como por exemplo François Mitterand, que ocultou o facto de ter uma filha ilegítima. “Eu e a Carla decidimos não mentir. Não vamos esconder nada. Não queríamos fotos roubadas. Não queríamos fotos de noite”, esclareceu. Um Sarkozy muito diferente daquele que há meses saiu indignado no meio de uma entrevista na CBS quando lhe fizeram uma pergunta sobre a sua então mulher Cecilia.
Os franceses, porém, não parecem apreciar muito esta nova faceta do seu chefe de Estado, a julgar pelas últimas sondagens. Uma delas, publicada pelo ‘Libération’ na segunda-feira, revela que 63% dos inquiridos considera que o seu presidente expõe demasiado a sua vida privada. Sarkozy responde que não é culpa sua que os media sigam todos os seus passos.
Mas o romance está a interferir nas questões de Estado. Sarkozy fez-se acompanhar pela noiva na Jordânia e diz-se que pretende levá-la na visita oficial à Arábia Saudita. Um diplomata saudita, a coberto do anonimato, aconselhou-o a ir sozinho por “questões religiosas”.
"EXPULSÃO COLECTIVA" DE ILEGAIS
Na conferência de imprensa, que durou 113 minutos, o presidente francês defendeu ainda a sua muito contestada política de reformas e revelou que os primeiros-ministros espanhol e italiano lhe pediram para se juntar na organização da “expulsão colectiva” de imigrantes em situação irregular nos três países.
Nicolas Sarkozy não adiantou pormenores sobre esta polémica questão, que deverá inserir-se no seu programa de reformas, e afirmou estar ciente que vai ser alvo de muito mais críticas. “Estou à espera delas” afirmou, pedindo “paciência e confiança”.
Sarkozy anunciou que dois Prémios Nobel de Economia – Amartya Sen e Joseph Stiglitz – lideram um grupo de especialistas internacionais encarregado de reflectir sobre os novos instrumentos e critérios de medição do crescimento económico de modo a que se tenha mais em conta a qualidade e não apenas a quantidade. “Se os critérios e os indicadores de riqueza permanecerem os mesmos, como vamos mudar o modo de produzir?”, questionou.
Sarkozy defendeu também a sua ambiciosa ‘política de civilização’ e abordou a questão dos bairros marginais.
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