Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Tartarugas verdes exterminadas em Moçambique

Venda ilegal por pescadores das ilhas a norte de Moçambique ameaça tartarugas verdes, espécie marinha em vias de extinção.
1 de Fevereiro de 2014 às 19:44
Tartarugas verdes, ambientalistas, extinção, extermínio, Ilha de Moçambique, Carlos Serra, ambientalista
Tartarugas verdes, ambientalistas, extinção, extermínio, Ilha de Moçambique, Carlos Serra, ambientalista

Várias tartarugas verdes, uma espécie marinha em vias de extinção, estão a ser exterminadas por pescadores em ilhas a norte de Moçambique. As tartarugas são vendidas à noite no mercado clandestino para consumo, denunciou o ambientalista moçambicano Carlos Serra.

Em declarações à Lusa, Carlos Serra disse que os casos mais alarmantes ocorrem na Ilha de Moçambique e num conjunto de ilhas à volta, que descreveu como "pontos ecológicos muito atrativos onde as tartarugas nidificam".

"Os pescadores usam a rede mosquiteira para as caçar. O que está a acontecer é uma autêntica chacina da tartaruga, cuja carne é muito apetecida. A carne chega durante a noite e entra no circuito de venda de forma clandestina a preço de 30 meticais/quilo" (72 cêntimos), disse o ambientalista.

CICLO LONGO DE VIDA

As tartarugas marinhas, que podem viver 100 anos, são animais protegidos devido à sua importância no estudo da longevidade dos vertebrados. Animais de ciclo de vida longo, são usadas como modelo de investigação para estudar como os animais superiores evoluíram até estarem aptos a suportar diferentes condições ambientais.

Moçambique ratificou a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas e vários acordos internacionais, que defendem a proteção destas espécies marinhas por representarem cerca de 150 milhões de anos de evolução. Em caso de extermínio, estas tartarugas verdes podem criar um vazio ecológico impossível de preencher por outras espécies.

As tartarugas-verdes, assim designadas por terem uma carapaça verde e que chegam a medir 1,50 metro quando adultas, são abundantes em áreas costeiras com muita vegetação, especialmente nos oceanos Índico e Atlântico. Das sete espécies atualmente existentes no mundo, cinco utilizam as praias moçambicanas para nidificação, nomeadamente, a tartaruga cabeçuda (de nome cientifico Caretta caretta), tartaruga verde (Chelonia mydas), tartaruga coriácea (Dermochelys coriacea), tartaruga bico-de-falcão (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga olivácea (Lepidochelys olivacea).

ALIMENTO TRADICIONAL 

Alguns estudos feitos no país dão conta de matanças de tartarugas marinhas por arrasto para praia com uso de tratores, mas há igualmente registo de casos de condução de veículos todo o terreno, sobretudo, nas praias da zona sul do país, o que contribui para a mortalidade de tartarugas em Moçambique.

Tradicionalmente, as comunidades costeiras moçambicanas usam a carne e ovos das tartarugas marinhas para alimentação. Também os pescadores utilizam o óleo cru da tartaruga coriácea para pintar barcos e os curandeiros e médicos tradicionais aproveitam partes das carapaças nas suas práticas de medicina tradicional.

"Há um discurso de certa forma paternalista, segundo a qual é uma questão de sobrevivência dos pescadores, mas isso não é uma questão de sobrevivência ", até porque, "por enquanto, não falta comida e há de tudo: peixe, lulas, lagostas, camarão", considerou Carlos Serra.

Por isso, defendeu, "tem que haver muito trabalho de educação junto dos pescadores e dos circuitos de comércio. É preciso educar no sentido de respeitar a tartaruga. O pescador tem que ser o maior protetor da fauna marinha. A fiscalização deve ocorrer na proteção de santuários".

Tartarugas verdes ambientalistas extinção extermínio Ilha de Moçambique Carlos Serra ambientalista
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)