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Televisão chinesa cancela emissão de jogo do Arsenal após comentários sobre uigures

Futebolista Mesut Ozil criticou o tratamento de minorias étnicas muçulmanas por Pequim.
Lusa 16 de Dezembro de 2019 às 09:14
Mesut Ozil
Mesut Ozil
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A televisão estatal chinesa CCTV cancelou no domingo a emissão do jogo entre o Arsenal e o Manchester City, depois de o futebolista Mesut Ozil ter criticado o tratamento de minorias étnicas muçulmanas por Pequim.

O Arsenal tornou-se assim no mais recente alvo dos esforços de Pequim para forçar empresas e entidades ocidentais a seguirem a sua agenda política. Em outubro passado, a liga profissional de basquetebol norte-americana (NBA) foi igualmente punida por emissoras e patrocinadores chineses, após o diretor-geral de uma equipa ter demonstrado apoio às manifestações em Hong Kong.

O Arsenal tentou inicialmente distanciar-se dos comentários do médio de origem turca, mas com nacionalidade alemã. Em comunicado divulgado na rede social chinesa Weibo, o clube esclareceu que os comentários de Ozil são a sua opinião pessoal.

"Como um clube de futebol, o Arsenal sempre seguiu o princípio de não interferir na política", lê-se naquela nota.

Ainda assim, a CCTV decidiu não transmitir a partida, que foi disputada durante a madrugada na China.

Nas redes sociais Twitter e Instagram, Ozil criticou a China pela perseguição da minoria étnica de origem muçulmana uigur e os países muçulmanos por manterem o silêncio.

"[Livros] do Alcorão estão a ser queimados. Mesquitas estão a ser fechadas. Escolas muçulmanas estão a ser banidas. Estudiosos religiosos estão a ser mortos um a um", descreveu o jogador do Arsenal, em mensagens escritas em turco. "Apesar de tudo isto, os muçulmanos ficam calados".

"O que será lembrado daqui a alguns anos não é a tortura pelos tiranos, mas o silêncio dos seus irmãos muçulmanos", apontou.

As autoridades chinesas mantêm mais de um milhão de uigures em campos de doutrinação na região de Xinjiang, no extremo oeste do país, numa campanha de assimilação cultural.

Antigos detidos dizem ter sido obrigados a renunciar ao Islão, jurar lealdade ao Partido Comunista Chinês e sujeitos a tortura e outros abusos. Outros dizem terem sido forçados a assinar contratos de trabalho com fábricas, onde são forçados a trabalhar longas jornadas por salários baixos, e proibidos de deixar as instalações durante os dias da semana.

O Governo chinês, que inicialmente negou a existência destes campos, afirmou, entretanto, tratar-se de centros de formação vocacional que visam integrar os uigures na sociedade e erradicar o "extremismo" da região.

Apesar da pressão internacional, os países muçulmanos têm-se mantido relutantes em criticar Pequim.

A imprensa e redes sociais na China foram inundadas de críticas a Ozil, enquanto a Associação Chinesa de Futebol disse estar "extremamente zangada e dececionada" com os comentários "inapropriados" do jogador.

"O que Ozil disse claramente magoou os seus fãs chineses e o povo chinês em geral", apontou.

O jornal oficial do Partido Comunista Chinês condenou ainda Ozil por se referir à região como 'Turcomenistão Oriental', um "termo separatista defendido pelo Movimento Islâmico do Turquistão Oriental (ETIM), uma organização que a ONU qualifica como terrorista" e fazer acusações "sem fundamento" e usar "falsas narrativas" sobre as políticas da China em Xinjiang.

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