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Correio da Manhã

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TENHO PENA DAS CRIANÇAS

O único dos três terroristas capturados que até agora fez confissões durante um interrogatório policial sobre a tragédia de Beslan, Ossétia do Norte, afirmou ter pena das crianças, até porque também é pai. Segundo o sequestrador não identificado, cujas imagens a TV russa divulgou, o objectivo era alargar a guerra a todo o Cáucaso.
7 de Setembro de 2004 às 00:00
Estas declarações vieram à luz no dia em que decorreram os funerais de cerca de metade das vítimas. A população mostra-se cada vez mais indignada com a falta de informações e exige uma comissão de inquérito independente.
“Claro que tenho pena das crianças, juro por Alá. Também eu tenho filhos”, afirmou o sequestrador quando lhe perguntaram, durante o interrogatório policial, se sentia remorsos pela morte dos alunos. De mãos atadas e ar assustado, o sequestrador assegurou a sua inocência: “Não disparei, juro por Alá. Não queria morrer”, afirmou, acrescentando que chegou a rapar a barba para tentar fugir, mas não conseguiu.
Durante o interrogatório, gravado numa pequena sala, o sequestrador contou como planearam o assalto: “Juntámo-nos na floresta depois das orações. Um homem, que tinha a alcunha de ‘Coronel’, disse-nos que tínhamos que tomar de assalto a escola de Beslan”, acrescentando que foram Mashkadov e Shamil Bassaiev (líderes da guerrilha tchetchena) que lhes tinham dado esta missão. “Eramos um grupo de diferentes nacionalidades – cazaques, uzbeques, árabes, alguns tchetchenos e de outras nacionalidades. Quando perguntámos porque devíamos fazer isso, o ‘coronel’ respondeu que é preciso alargar a guerra a todo o Cáucaso”.
ESPANHA CONVIDA
Três dias após a tragédia, o governo não revela o número total de reféns e terroristas envolvidos. Tentando avançar esclarecimentos sobre a tragédia e ao mesmo tempo aliviar as culpas das forças russas, Ruslan Auchev, o homem que fez de mediador durante a crise, garantiu que o assalto fora desencadeado por um grupo de civis armados enquanto decorriam as negociações.
Refira-se que, segundo o Kremlin, morreram 335 pessoas no assalto, tendo ontem sido sepultadas 170 das vítimas. O número de mortos deverá, no entanto, ser muito superior, já que se sabe que estão ainda desaparecidas cerca de 200 pessoas
Dos cerca de 400 feridos, muitos continuavam ontem hospitalizados, tendo o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, convidado as vítimas de Beslan a passar algum tempo no seu país para recuperarem da tragédia.
Face ao fracasso na gestão desta crise, reconhecido pelo presidente russo, Vladimir Putin, Moscovo decidiu reforçar medidas contra o terror e assinou ontem comTelavive um memorando destinado à cooperação na luta contra o terrorismo internacional.
A MARGEM
QUEDA DE 'HELI' RUSSO
Um helicóptero militar russo despenhou-se sobre uma montanha perto da Tchetchénia, matando dois dos seus três tripulantes. O aparelho transportava tropas do Ministério do Interior. Desconheciam-se ainda as causas da queda do ‘heli’, sabendo-se apenas que havia mau tempo na região quando o aparelho se despenhou.
PUTIN MANTÉM VISITA
O presidente russo, Vladimir Putin, manterá a sua visita de dois dias à Alemanha, apesar da tragédia de Beslan. Putin e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, vão encontrar-se, na próxima sexta-feira, em Hamburgo e, no dia segunite, em Schloss Gottorf.
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