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Correio da Manhã

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TENSÃO NA GEÓRGIA

O presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze, decretou este sábado o estado de emergência no país, depois de centenas de manifestantes da oposição terem tomado o controlo do Parlamento exigindo a demissão do chefe de Estado. A presidência foi assumida pela líder parlamentar Nino Burdzhanadze.
22 de Novembro de 2003 às 15:15
A oposição georgiana tomou o controlo do Parlamento, este sábado, poucas horas depois do líder da oposição radical, Mikhaïl Saakachvili, lançar um ultimato ao presidente Eduard Shevardnadze, concedendo-lhe 45 minutos para reconhecer a sua derrota nas legislativas de Novembro último. Saakachvili, que proferiu o ultimato ao início da manhã no decorrer de um discurso na câmara municipal de Tiblissi, perante uma multidão de opositores do presidente, ameaçou ir “procurar” Shevardnadze caso este não cumprisse o prazo estabelecido para “reconhecer-se vencido”, e cumpriu.
Centenas de manifestantes da oposição entraram no Parlamento georgiano, onde Shevardnadze se preparava para discursar, tomando o controlo do hemiciclo. O presidente foi forçado a abandonar o Parlamento acompanhado por um forte dispositivo de segurança .
Eduard Shevardnadze é acusado de fraude eleitoral nas eleições legislativas de 2 de Novembro. A oposição reclama a vitória sobre o escrutínio, tendo conduzido hoje uma multidão à Praça da Liberdade em protesto contra os resultados do acto eleitoral e exigindo a demissão do presidente da República.
As centenas de polícias que rodeavam o Parlamento e o palácio Presidencial não conseguiram deter a multidão de opositores que quebraram todos os cordões de segurança.
SHEVARDNADZE NÃO SE DEMITE
Em reacção à tomada do Parlamento, o presidente Eduard Shevardnadze, que se encontra no centro de luta contra o terrorismo, nos arredores de Tiblissi, recusou demitir-se rejeitando “golpes de ultimatos”. O presidente georgiano, que catalogou a operação desta manhã de “um golpe de Estado armado” declarou o estado de emergência no país, mas aceitou reunir-se com os líderes da oposição.
No edifício parlamentar permanece ainda um grupo de defensores de Shevardnadze, que sustentam a determinação do presidente em não abdicar do cargo.
DOIS CENTROS DE PODER
A confusão de poderes instalou-se, entretanto, na Geórgia. Se por um lado Shevardnadze afirma que não vai afastar-se da presidência, por outro a presidente do parlamento de Tiblissi, Nino Burdzhanadze, anunciou ao início da tarde de hoje, depois da tomada do edifício, que assumiria a presidência interina.
Em declarações aos jornalistas, Burdzhanadze disse que assumia a presidência, tal como prevê a Constituição da Geórgia, até que seja esclarecido se Shevardnadze reúne as condições para continuar no poder.
Manifestações como a de esta manhã, que reuniu mais de 25 mil pessoas em frente ao Palácio Presidencial, têm-se sucedido na Geórgia. A oposição reclama novas legislativas e eleições presidenciais antecipadas.
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