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Terceiro português acusado nos EUA em caso de pesca ilegal

James Melo, de 45 anos, foi detido e acusado de contrabando.
Lusa 31 de Agosto de 2017 às 21:21
Barco de pesca
Barco de pesca FOTO: Getty Images
James Melo, um capitão do gabinete do xerife do condado de Bristol, em Massachusetts, tornou-se esta quinta-feira o terceiro luso-americano no caso de pesca ilegal que envolve Carlos Rafael, um dos maiores empresários de pesca comercial da Nova Inglaterra.

James Melo, de 45 anos, foi detido e acusado de contrabando para Portugal dos lucros obtidos por Carlos Rafael no seu esquema de pesca ilegal.

Segundo a procuradoria americana, o luso-americano ajudou Carlos Rafael e alguns conhecidos a transportar dinheiro para Portugal num voo de Boston para os Açores a 10 de novembro de 2015.

Três dias depois da chegada de Melo, Rafael e os conhecidos aos Açores, foram depositados 76 mil dólares, em moeda americana, numa conta em nome de Rafael no banco Banif.

Melo pagou uma caução de 10 mil dólares e vai aguardar julgamento em liberdade. Arrisca uma pena máxima de cinco anos de prisão, com três anos de prisão condicional, e o pagamento de uma multa até aos 250 mil dólares.

Carlos Rafael, que confessou alguns dos crimes em março, vai conhecer a sua sentença a 26 de setembro.

No mesmo caso, António Freitas, vice-xerife do condado de Bristol, foi condenado a 19 de julho por contrabando, a mesma acusação feita a Melo. A sua sentença será lida a 12 de outubro.

Carlos Rafael, de 65 anos, conhecido por 'codfather' (um trocadilho com as palavras bacalhau e o título do filme Padrinho em inglês) está a ser acusado de 27 crimes, incluindo conspiração e prestação de registos falsos.

Segundo a acusação, o imigrante açoriano mentiu durante anos às autoridades sobre as quantidades e espécies de peixe capturadas pela sua frota para contornar quotas de pesca sustentável. Rafael venderia depois o peixe por "sacos de dinheiro" a um vendedor por atacado de Nova Iorque.

Ainda segundo a acusação, o empresário usava compartimentos falsos para transportar o peixe e usava rótulos errados para evitar as quotas.

A investigação, que envolveu o fisco dos EUA, os serviços de investigação da Guarda Costeira e a Organização Nacional dos Oceanos e Atmosfera, começou depois de Rafael colocar o seu negócio a venda em 2015.

Quando dois agentes à paisana se fizeram passar por potenciais compradores, o português confessou a sua operação "fora dos cadernos" de contas.

Em janeiro do ano passado, Rafael e a sua contabilista explicaram o passo-a-passo da operação, a que se referiam como "a dança", durante uma reunião com os falsos compradores.

No encontro, Carlos Rafael afirmou que tinha ganhado 668 mil dólares (cerca de 614 mil euros). Os investigadores acreditam que parte do dinheiro foi desviada para Portugal através do aeroporto de Boston, alegadamente com a ajuda de James Melo e António Freitas.
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