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Correio da Manhã

Mundo
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Terrorismo semeia polémica em eleições

A pouco mais de 15 dias das eleições intercalares para o Congresso dos EUA, um anúncio de campanha eleitoral que hoje estreia nas TV norte-americanas está a causar polémica acesa. O anúncio alerta para os riscos do terrorismo com tal eficácia que a oposição democrata já afirmou que se trata de “um esforço desesperado para tentar aterrorizar os eleitores”.
22 de Outubro de 2006 às 00:00
O anúncio mostra Osama bin Laden e outros líderes terroristas a falar. Mas o som das vozes não se ouve. Em vez disso o que dizem passa em legendas enquanto o som de fundo é o tique-taque de um relógio. Nas legendas vão-se destacando algumas das afirmações cruciais das frases, como: “matar americanos” ou “dentro da América”. Surgem depois terroristas a fazer treino físico e aprendizagem de uso de armas. No final, o som do relógio transforma-se no bater de um coração.
Para os democratas este anúncio – inspirado num outro da campanha do presidente Johnson, da altura da Guerra Fria – revela o desespero dos republicanos para se manterem no poder. “Têm tanto medo de se confrontar com os seus erros que não dão um único exemplo de algo que tenham feito para manter a América mais segura”, afirmou Karen Finney, directora de comunicações dos democratas.
Os republicanos, no entanto, alegam que o anúncio se limita a sublinhar “o que está em jogo na guerra global ao terrorismo recorrendo às próprias palavras dos terroristas”.
Entretanto, os responsáveis da oposição no Congresso instaram a administração Bush a alterar a política no Iraque e a avançar com propostas alternativas.
NOVA ESTRELA DOS DEMOCRATAS
A política norte-americana tem uma nova estrela. Trata-se de Barack Obama, senador democrata pelo Illinois. Para muitos ele é o futuro presidente dos EUA e nem o facto de ser negro demove o número de admiradores, que não pára de crescer. Na campanha eleitoral para o Congresso não joga nada, mas é recebido com banhos de multidão onde quer que passe para dar o seu apoio aos candidatos do Partido Democrata.
Foi ao programa televisivo de Oprah Winfrey e foi tão persuasivo que no final ela declarou-o o seu candidato para as presidenciais de 2008. E Oprah não é a única a preferi-lo, até mesmo a Hillary Clinton, outra pretendente democrata muito badalada. Obama, nascido de pai queniano e mãe norte-americana, tem um currículo académico e político impoluto. Foi eleito para o Senado em 2004 depois de fazer furor na Convenção Democrata desse ano.
BUSH ADMITE MUDAR TÁCTICA
No mesmo dia em que a violência fez pelo mais 30 mortos em Bagdad, incluindo três ‘marines’, o presidente George W. Bush admitiu ontem a necessidade de uma mudança táctica no Iraque. Na sua comunicação radiofónica semanal, Bush afirmou-se disposto “a fazer todas as mudanças necessárias” mas frisou: “O nosso objectivo no Iraque é claro e imutável: queremos a vitória. O que está a mudar são as tácticas usadas para atingir esse objectivo.” Quanto às críticas de que tem sido alvo por parte da oposição democrata, e que sobem de tom com a aproximação das eleições intercalares para o Congresso, considerou-as representativas de uma mentalidade de “dúvida e derrota”. No sentido de fazer alguns dos ajustamentos prometidos, o presidente manteve ontem uma videoconferência com os comandantes militares no terreno.
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