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Tia de Alan Kurdi conta história horrível escondida na foto do menino afogado que chocou o mundo

Criança morreu juntamente com a mãe e o irmão quando tentavam fugir à guerra na Síria.
Correio da Manhã 11 de Novembro de 2019 às 17:33
Imagens desta criança morta geraram a revolta nas redes sociais
Imagens desta criança morta geraram a revolta nas redes sociais FOTO: EPA

Alan Kurdi tinha apenas três anos quando morreu juntamente com a mãe, Rehana, e o irmão mais velho, Galip, numa tentativa desesperada de fugir da guerra na Síria. As imagens do seu corpo inerte numa praia na costa da Turquia chocaram o mundo em 2015. 

A família de Alan 
já se tinha mudado várias vezes da sua casa em Damasco para Kobani, numa tentativa de escapar da guerra civil que devastou o país.

Acabaram por se instalar numa casa na Turquia, onde o pai de Alan, Abdullah, estava a trabalhar, mas quando os combates diminuíram na cidade de Kobani, eles voltaram à sua terra natal.

A paz, no entanto, durou pouco e, quando o Daesh atacou a casa deles, Abdullah sabia que tinha que fazer o possível para manter sua família em segurança.

A história por detrás da imagem chocante é agora contada pela tia de Alan a propósito do programa 'History's Photos The Changed The World'. Tima estava, na altura, a morar no Canadá e a família tentou pedir asilo lá, porém o pedido foi recusado.

A tia de Alan revela que a família entrou em desespero e a única maneira de ficar em segurança era viajar ilegalmente para a Europa continental.

"Eles dormiam numa fábrica e eu tentei trazer a minha família para o Canadá. Tentei o meu melhor, mas eles dificultaram a entrada deles", começa por contar.

"Dei ao meu irmão 5 mil dólares [cerca de 4500 euros] para pagar a contrabandistas", confidencia.

A família Kurdi pagou pela viagem através da seção mais estreita de água entre a Turquia e a Europa continental.

A última mensagem que Tima recebeu do irmão foi a 31 de agosto de 2015. Dizia que se preparavam para partir. De acordo com Tima, o barco que os trazia era muito pequeno, teria uma capacidade máxima de seis pessoas, mas nele viajavam entre 11 a 13 pessoas.

"Abdullah perguntou como encaixariam [num barco tão pequeno] e os contrabandistas disseram que todos cabiam", afirma.

A família embarcou com a garantia dos contrabandistas mas, cerca de cinco minutos depois, os problemas começaram a surgir.

Quando a primeira onda chegou, o grupo entrou em pânico e à segunda, o barco virou deixando os migrantes presos no mar.

"Num piscar de olhos, o mar engoliu-os. Abdullah tentou de tudo para salvá-los", conta Tima. 

Na manhã seguinte, o mundo acordou com a imagem do pequeno Alan, deitado de bruços nas areias douradas da praia turca.

O único membro sobrevivente da família Kurdi foi o pai, Abdullah.


 


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