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Correio da Manhã

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TIMOR LESTE ASSUME SEGURANÇA

As recém estruturadas forças policiais e do Exército de Timor Leste assumiram esta quarta-feira a segurança do país, recebendo o testemunho das tropas de manutenção da paz da ONU.
19 de Maio de 2004 às 20:07
A cerimónia de passagem de poderes realizou-se hoje, na cidade de Dili, em véspera do segundo aniversário da independência de Timor Leste. Em declarações proferidas no decorrer da cerimónia, o presidente Xanana Gusmão salientou que o dia de hoje marca o início de um novo capítulo na história desta jovem nação, que assume a total responsabilidade pelo policiamento do país e pela segurança externa.
Gusmão defendeu que a manutenção da segurança é fundamental para garantir que Timor Leste possa resolver a questão da pobreza e desenvolver o país. O presidente timorense anunciou que vai começar por tomar medidas regionais para lançar o programa de segurança do país. Neste sentido, vai também desenvolver esforços para manter a paz com a vizinha, e inimiga, Indonésia.
Timor Leste tornou-se formalmente independente a 20 de Maio de 2002, depois de séculos sob o poder português e depois de 24 anos de ocupação por parte da Indonésia, que terminaram com a realização de um referendo em Agosto de 1999. Esta votação, em que a população timorense votou pela independência, gerou uma onda de violência levada a cabo por milícias pró-indonésia. A independência só seria formalizada após a intervenção de forças internacionais. Desde então a ONU manteve no território um forte dispositivo militar para a manutenção da paz. Este contigente foi reduzido a 700 militares e pessoal civil, que permanece no território por mais um ano.
Apesar da saída da maioria dos capacetes azuis, outras tropas estrangeiras vão permanecer no território a fim de prevenir um eventual conflito.
AMEAÇAS À ESTABILIDADE DO PAÍS
Apesar dos receios do regresso de milícias contra a autonomia de Timor-Leste, principalmente a partir da fronteira com a Indonésia, podem surgir ameaças à segurança do jovem país a partir de outros quadrantes, nomeadamente, em consequência da situação de pobreza e frustração que se verifica entre as camadas jovens timorenses.
Num país de 750 mil cidadãos, que na sua maioria vivem da ajuda de nações como a Austrália, Japão e Estados Unidos, a maioria da população ganha menos de um dólar por dia.
A Austrália, que dirigiu uma operação militar multinacional para repor a ordem em Timor-Leste, em 1999, instou as Nações Unidas a permanecerem no território, mantendo a sua missão de apoiar a administração pública e as instituições judiciais e de segurança do país.
Aliás, a Austrália está na origem de uma outra questão que está a abalar o jovem governo de Timor Leste. A Austrália está a arrastar as negociações que mantém com Dili sobre a fronteira marítima, o que coloca em causa o desenvolvimento do território. O mar de Timor é uma rica fonte de recursos, estando em jogo milhões de dólares em direitos de exploração de petróleo e gás. A exploração deste meios possibilitaria a Timor Leste aliviar a situação de pobreza no país, criando postos de trabalho e melhorando a educação. A Austrália nega estar a fugir às suas responsabilidades para com Timor. Os dois países reúnem-se em Setembro para voltar a debater a questão.
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