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Correio da Manhã

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TIROTEIO ENSOMBRA 4 DE JULHO

Não obstante a gigantesca operação de segurança montada pelas autoridades norte--americanas, o Dia da Independência dos Estados Unidos ficou ontem marcado por um tiroteio no Aeroporto Internacional de Los Angeles, que provocou pelo menos três mortos e seis feridos.
4 de Julho de 2002 às 23:51
As autoridades afirmaram ontem à noite que não existiam razões para suspeitar que se tinha tratado de um ataque, ao contrário de Israel, que não hesitou em afirmar que se tratou de um acto de terrorismo.

Segundo um porta-voz da Polícia de Los Angeles, um atirador solitário abriu fogo contra o balcão de venda de bilhetes da companhia aérea israelita El Al, matando duas pessoas antes de ser abatido pela segurança privada da companhia e pela Polícia do aeroporto. No tiroteio terão ainda ficado feridas outras seis pessoas, uma deles aparentemente golpeada com uma arma branca, o que levanta a possibilidade de existir mais do que um atacante. Pelo menos duas pessoas estavam ontem à noite a ser interrogadas.

O terminal internacional do aeroporto foi evacuado e todos os voos foram suspensos durante cerca de duas horas. “Nesta altura, não temos qualquer razão para acreditar que o incidente esteja relacionado com terrorismo”, assegurou o tenente Horace Frank, da Polícia de Los Angeles, numa opinião partilhada pelo FBI que, mesmo assim, caucionou que “ainda é cedo” para tirar conclusões. Pelo contrário, o governo israelita não teve dúvidas em afirmar que se tratou de um “atentado terrorista”. O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres, adiantou mesmo que os EUA e Israel vão fazer tudo ao seu alcance para encontrar os responsáveis pelo ataque.

FERIADO EM SOBRESSALTO

O tiroteio sobressaltou a América, num dia em que milhões de pessoas saíram para a rua para festejar o 4 de Julho, Dia da Independência dos EUA. As autoridades, recorde-se, haviam montado uma gigantesca operação de segurança face às várias ameaças recebidas pelo FBI sobre a possibilidade de a rede terrorista al-Qaeda tentar levar a cabo um novo ataque terrorista em território americano. Apesar de tudo, os americanos não se deixaram intimidar e saíram aos milhões para a rua, para participar nas inúmeras paradas, espectáculos de rua e outros eventos que assinalaram, de costa a costa, o Dia da Independência.

‘DEFESA DA LIBERDADE’

O presidente George W. Bush, que iniciou as celebrações do 4 de Julho na pequena localidade de Ripley, na Virgínia Ocidental, lembrou aos americanos que “o Dia da Independência é um dia de gratidão e um dia para celebrar”, e exortou-os a apreciarem as suas liberdades. Recordando o dia em que os Estados Unidos se tornaram um Estado independente, há 226 anos, Bush frisou que, desde esse dia, “a liberdade encontrou uma casa e um defensor”, antes de se referir à guerra contra o terrorismo, para afirmar que “mais uma vez, a História pediu à América para usar o seu poder esmagador na defesa da liberdade”.

“E é isso mesmo que faremos”, assegurou o presidente americano, que recordou ainda, num momento solene, as vítimas dos atentados de 11 de Setembro contra Washington e Nova Iorque. “Nesse momento, descobrimos novamente que somos um único povo - quando um americano é atacado, todos somos atacados”, afirmou Bush.
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