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Correio da Manhã

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Tony Blair admite desastre

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, causou uma verdadeira tempestade política ao admitir, em entrevista à al-Jazeera, que a invasão do Iraque “foi um desastre”. A frase fez a manchete de quase todos os jornais britânicos de ontem e levou a oposição a afirmar que Blair deve “um pedido de desculpas ao país”, enquanto o gabinete do primeiro-ministro garante que ele apenas se limitou a “concordar educadamente” com o entrevistador.
19 de Novembro de 2006 às 00:00
“Blair admite à televisão árabe que a invasão do Iraque foi um desastre.” A manchete do ‘Daily Telegraph’ ilustra bem o eco que as palavras do primeiro-ministro tiveram na Imprensa, com todos os jornais a chamarem o assunto à primeira página.
A ‘admissão’ de Blair foi feita numa entrevista ao canal internacional da cadeia Al-Jazeera, transmitida sexta-feira à noite. Na entrevista, Blair foi confrontado pelo jornalista David Frost com o facto de a intervenção no Iraque “ter sido um desastre até agora”.
“Foi, mas aquilo que eu sempre pergunto às pessoas é porque é que a situação no Iraque é tão difícil? Não é por causa de falta de planeamento, mas porque existe uma estratégia deliberada da al-Qaeda e da resistência sunita, por um lado, e das milícias xiitas e elementos apoiados pelo Irão, por outro – para criar uma situação em que a vontade de paz da maioria é ultrapassada pelo vontade de guerra da minoria”, respondeu Blair, que ontem iniciou uma visita ao Paquistão.
Face à reacção da Imprensa e da oposição, que exigiu um “pedido de desculpas ao país”, o governo apressou-se a esclarecer que não se tratou de qualquer admissão. “Ele simplesmente concordou educadamente com a pergunta antes de explicar a sua posição”, afirmou um porta-voz de Downing Street.
NATO INCAPAZ DE BATER TALIBANS
O chefe da missão das Nações Unidas no Afeganistão, o diplomata alemão Tom Koenigs, afirmou ontem que as forças da NATO “nunca conseguirão vencer a guerrilha Taliban pela força”. “Neste momento, a NATO tem uma avaliação muito optimista da situação e julga que pode ganhar a guerra. Mas não existe uma solução rápida”, afirmou o diplomata germânico em entrevista ao jornal britânico ‘The Guardian’.
Segundo aquele responsável, a única opção viável é treinar o debilitado Exército Nacional Afegão e fazer dele um aliado importante nesta luta, à semelhança do que a coligação internacional está a fazer no Iraque com as forças de segurança iraquianas.
Entretanto, o presidente afegão, Hamid Karzai, alertou ontem que a instabilidade no seu país constitui uma “gigantesca ameaça para a paz e prosperidade” em toda a região e considerou que o desenvolvimento económico é essencial para travar o avanço da guerrilha Taliban.
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