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Correio da Manhã

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Torre madrilena consumida pelo fogo

Parecia as Torres Gémeas”. O comentário foi de um madrileno, estupefacto perante um dos mais espectaculares incêndios dos últimos 20 anos em Madrid, com um dos arranha-céus da capital espanhola, a Torre Windsor, com 106 metros de altura, reduzida a um esqueleto de betão, após ter sido devorada pelas chamas. O incêndio não causou vítimas, mas o edifício ameaçava ontem ruir. O alcaide de Madrid, Alberto Gallardón, ordenou um perímetro de segurança em redor da Torre até quarta-feira.
14 de Fevereiro de 2005 às 00:00
As chamas irromperam no piso 21.º e destruíram rapidamente os andares do topo de um dos arranha-céus mais emblemáticos de Madrid
As chamas irromperam no piso 21.º e destruíram rapidamente os andares do topo de um dos arranha-céus mais emblemáticos de Madrid FOTO: Alvaro Blanco/Epa
O incêndio, que poderá ter tido origem num curto-circuito, deflagrou pelas 23h20 locais de sábado (menos uma hora em Lisboa) e só foi controlado pelos bombeiros 14 horas depois. No momento de maior intensidade do fogo, a temperatura no interior do edifício chegou a rondar os mil graus centígrados.
Gallardón, que classificou o incêndio como o maior que a “cidade conheceu em toda a sua história, mas não o pior porque não houve vítimas” anunciou a abertura de um inquérito para apurar a origem do fogo e decidiu que toda a actividade comercial está interdita na zona até quarta-feira, tempo suficiente para que o incêndio seja declarado extinto e para que os técnicos municipais forneçam garantias sobre a estabilidade do edifício. Foi implantado um perímetro de segurança em toda a zona – temia-se ontem que em caso de derrocada edifícios contíguos como o do El Corte Inglés e o do Banco Bilbau e Vizcaya fossem afectados. Foi ainda cortada a electricidade e o gás na zona e interrompidas as ligações de Metro e ferroviárias entre as estações de Atocha e Chamartin.
DESABITADO
O fogo, que começou no 21.º dos 31 pisos de um dos arranha-céus mais emblemáticos de Madrid, alastrou rapidamente para os pisos superiores, com as chamas a devorarem completamente a parte inferior do imóvel, até que os bombeiros conseguissem travar o avanço das chamas. Mais de 70 bombeiros, apoiados por 18 viaturas, combateram durante todo a noite o incêndio.
Localizado numa zona comercial próxima do Paseo de la Castellana, uma das avenidas emblemáticas de Madrid, e do Estádio Santiago Bernabéu, do Real Madrid, a Torre Windsor estava há meses em obras e encontrava-se desabitada. A construção do edifício, que era ocupado na sua maioria por empresas – incluindo a prestigiada Delloitte americana, iniciou-se em 1975 e terminou quatro anos depois.
NOTAS
TORRES GÉMEAS
Desde os primeiros momentos do incêndio, as ruas mais próximas do edifício Windsor começaram a registar uma enorme afluência de jornalistas e curiosos, que não queriam perder o detalhe do que estava a ocorrer. Muitos espanhóis recordaram as Torres Gémeas, em Nova Iorque.
SEGURANÇA
As comunicações nos arredores da Torre Windsor foram seriamente afectadas pelo incêndio. As estações de Metro e ferroviárias foram fechadas e muitas ruas adjacentes à Torre estão cortadas. Toda actividade comercial e de escritórios foi interdita até quarta-feira e criado um perímetro de segurança.
DESALOJADOS
O edifício, localizado na área de Azca, conhecida zona de negócios de Madrid, foi acabado de construir em 1979 e estava desabitado e há meses em obras. Por causa da intensa coluna de fumo, as autoridades mandaram evacuar os residentes situados a 500 metros em redor do edifício de Windsor.
RISCO DE RUIR
O incêndio foi controlado, mas subsiste o risco de que o edifício Windsor venha a ruir porque a estrutura permanece instável. As chamas deixaram apenas um esqueleto de cimento calcinado e fumegante. Mais de 70 bombeiros e 18 viaturas combateram o fogo, mas a grande altura do imóvel dificultou a sua acção.
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