Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Trabalho atrai voto em Sarkozy

"Votei Sarkozy na primeira volta e vou voltar a votar no domingo até porque Ségolène não sabe muito bem que direcção deve tomar a França”, afirmou-nos Louis Pinto, um luso-francês nascido há 43 anos em Valdozendo, junto à barragem da Caniçada, no Minho.
4 de Maio de 2007 às 00:00
Depois de ser 1.º classificado no concurso de Escola Superior de Comércio de Paris, em 1986, tornou-se um guru de negócios levando, por exemplo, a Haagen Dazs de França dos zero aos 80 milhões de euros de receitas anuais.
Louis Pinto gostaria de votar num partido social-democrata que reunisse, por exemplo, Dominique Strauss-Kahn, Jacques Delors e o actual primeiro-ministro Villepin.
Define-se também contra o capitalismo selvagem e considera que o exemplo dos EUA não é aplicável em França, onde vê o presidente Chirac mais à esquerda do que governantes socialistas como Tony Blair e Zapatero. Não sente, contudo, apelo por Ségolène, que achou fraca e sem ideias fiáveis no debate de anteontem à noite.
A opção pelo que também chama “dignidade no trabalho” torna-o próximo de Sarkozy, a quem atribui a virtude de ter acabado com a vergonha Le Pen. A afinidade sem qualquer relação partidária – Louis Pinto é independente de centro-esquerda – tem a ver com a própria experiência de vida: órfão de pai aos dez anos, com uma irmã e um irmão mais novos, hoje também bem colocados profissionalmente – tem como herói de vida a mãe, Maria Teresa.
“Não estou de acordo com a aplicação das 35 horas semanais”, afirma, argumentando: “Interessante para a economia francesa é não taxar as horas extraordinárias nem às empresas nem aos trabalhadores, porque estimula o esforço de quem necessita de ganhar mais para ter uma vida melhor”. Louis admite trabalhar 70 horas por semana e adianta que não lhe custa fazê-lo porque se diverte imenso.
Reticências semelhantes a Ségolène Royal, mas já com carga partidária, foram feitas pelos conselheiros de Sarkozy, ontem ao fim da manhã, na sede de campanha da rua d’Enghien. Concretamente acusou a candidata de encenar a revolta, já que na realidade, embora se tivesse alterado o esquema deixado pelos socialistas em 2002, o número de crianças deficientes integradas nas escolas mais do que duplicou para cerca de 160 mil. Onde errou Sarkozy foi na classificação de um tipo de reactor nuclear que classificou de 4.ª geração quando é de 3.ª.
As imprecisões não pesaram na apreciação geral em que se registou muito apreço pela prestação de Ségo’, embora se tenha afundado nas sondagens que reforçam o favoritismo de Sarkozy no domingo.
UM GURU DOS NEGÓCIOS
Louis Pinto nasceu há 43 anos em Valdozendo, junto à barragem da Caniçada. Formado na Escola Superior de Comércio, em Paris, tornou-se num bem sucedido homem de negócios. Não gosta do capitalismo selvagem e diz que o exemplo dos EUA não é aplicável em França.
ELEITORES PREFEREM O CANDIDATO
Nicolas Sarkozy mantém-se como favorito após o único debate da campanha para as presidenciais franceses. Uma sondagem elaborada pela ‘Opinionway’, publicada no jornal conservador ‘Le Figaro’, revela que 53% dos eleitores que viram o debate na TV consideraram que o ex-ministro do Interior foi mais convincente do que a candidata socialista Ségolène Royal.
Recorde-se que, numa sondagem publicada na quarta-feira (antes do debate), Sarkozy tinha o apoio de 53,5% dos inquiridos e Ségolène 46,5%, com 86% deles a garantir que não vai mudar de ideias no domingo. A candidata socialista minimizou a importância dos inquéritos de opinião. “Sondagens não decidem eleições”, comentou.
APOIANTE DE BAYROU APOSTA AGORA NA CANDIDATA DO PS
“O meu objectivo é cumprimentar as pessoas e falar com elas para as convencer a não votar Sarkozy, porque seria mau para a França e para a Europa”, diz já descontraído um militante laranja para quem a campanha eleitoral não acabou com o afastamento do seu candidato, François Bayrou, na 1.ª volta. O homem do ‘centro’ que ontem, após o debate, afirmou peremptório que não votará em Nicolas Sarkozy.
Pascal Casimir Perrier, de 35 anos, contabilista de profissão e vice-presidente da Juventude da UDF no departamento Yvelines, na periferia sudoeste de Paris, conta que fez 6000 km durante a campanha pelo líder do seu partido e continua a ir por todo o lado com o seu velho Citroën AX pintado de laranja. Quando me viu a tomar notas a uns metros do carro, antecipou-se na interpelação com agressividade: “Você não é do RG?”, perguntou.
E como me ri pela suspeita de pertencer aos serviços secretos do Ministério do Interior (Renseignements Géneraux) e me identifiquei, logo me contou: “Já em muito lado tomaram nota da matrícula do carro, mas eu não desisto. Vou a todo o lado para parar Sarkozy. Com ele a Europa e a democracia ficam muito diminuídas. Em vez do Tratado Constitucional, quer só um pequeno acordo que sirva para o capital continuar a ganhar com a livre circulação e o Euro.”
O desejo deste militante foi já alcançado, com Bayrou a afirmar que não vota em Sarkozy mas também sem precisar se apoia a socialista Ségolène Royal.
^MILHÕES A VER: FRANCESES MUITO ATENTOS
O único debate entre Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal foi visto por 23,1 milhões de franceses, o que representa mais de metade dos 44,5 milhões de eleitores. Analistas afirmam que o debate não mudou nada.
DUELO FOI "ÁSPERO"
Os editorialistas da imprensa francesa consideraram “áspero” e “equilibrado” o debate televisivo entre os dois candidatos.
ELEITORES FIRMES
O debate foi feroz, mas uma sondagem demonstra que foi insuficiente para mudar as intenções de voto dos eleitores.
PORTUGAL INTERESSADO
As eleições têm merecido o interesse dos portugueses, de acordo com jornalistas franceses correspondentes em Lisboa.
SAIBA MAIS
4,9 milhões é o número de estrangeiros que vive em França, ou seja, corresponde a oito por cento da população.
1000 milhões de euros (segundo a estimativa de Setembro de 2006) é a dívida pública francesa que corresponde a cerca de 66,6% do PIB. Os critérios
de Maastrich limitam a dívida a 60% do PIB.
SERVIÇOS
A economia francesa é baseada nos serviços. É o primeiro destino turístico do Mundo, com mais de 80 milhões de visitantes/ano.
ARMAS NUCLEARES
É um dos gigantes da indústria europeia. Fabrica os comboios mais rápidos do Mundo e dispõe de uma indústria automóvel poderosa.
DEMOGRAFIA
O crescimento demográfico francês é um dos mais dinâmicos da Europa, resultando, nomeadamente, de uma taxa de natalidade superior à média europeia.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)